{"id":314,"date":"2009-02-20T16:51:40","date_gmt":"2009-02-20T19:51:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.funcap.ce.gov.br\/2009\/02\/20\/mercado-global-de-biocombustiveis-unira-america-latina-e-asia\/"},"modified":"2009-02-20T16:51:40","modified_gmt":"2009-02-20T19:51:40","slug":"mercado-global-de-biocombustiveis-unira-america-latina-e-asia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ce.gov.br\/funcap\/2009\/02\/20\/mercado-global-de-biocombustiveis-unira-america-latina-e-asia\/","title":{"rendered":"Mercado global de biocombust\u00edveis unir\u00e1 Am\u00e9rica Latina e \u00c1sia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Do site Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica<br \/>Por Thiago Romero<\/strong><\/p>\n<p>No mercado ainda em forma\u00e7\u00e3o das energias alternativas ao petr\u00f3leo, os pa\u00edses latino-americanos s\u00e3o vistos como potenciais fornecedores de etanol e outros biocombust\u00edveis, enquanto as economias asi\u00e1ticas, devido ao grande crescimento econ\u00f4mico e \u00e0 car\u00eancia de recursos energ\u00e9ticos para mant\u00ea-lo, seriam os principais consumidores.<br \/>\u00c9 o que destaca um estudo publicado na Revista Brasileira de Pol\u00edtica Internacional, de autoria de pesquisadores do Departamento de Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), que apresenta as perspectivas latino-americanas e asi\u00e1ticas em combust\u00edveis renov\u00e1veis.<\/p>\n<p><strong>Lideran\u00e7a brasileira<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/><\/strong>A partir de uma revis\u00e3o da literatura especializada e de dados prim\u00e1rios fornecidos por \u00f3rg\u00e3os multilaterais, nacionais e privados, o estudo descreve como a ind\u00fastria vem se estruturando e como os pa\u00edses dever\u00e3o se inserir de forma competitiva no novo mercado. O trabalho aponta que, por motivos ambientais e tecnol\u00f3gicos, o Brasil \u00e9 tido, na maioria dos estudos analisados, como o pa\u00eds que lidera o setor de bioenergia no mundo.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo reconhecendo a import\u00e2ncia da coopera\u00e7\u00e3o brasileira com os Estados Unidos, atualmente o maior produtor de etanol do mundo, h\u00e1 um grande potencial de coopera\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio entre os pa\u00edses latino-americanos com os do leste e sudeste asi\u00e1tico&#8221;, disse Gilmar Masiero, professor da UnB e um dos autores do estudo, \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p><strong>Coopera\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/><\/strong>Em mar\u00e7o de 2007, quando o ent\u00e3o presidente dos Estados Unidos George Bush visitou o Brasil, foi assinado um memorando de coopera\u00e7\u00e3o na \u00e1rea entre os dois pa\u00edses, que s\u00e3o respons\u00e1veis por 70% da produ\u00e7\u00e3o mundial de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos, segundo o estudo, produzem etanol a partir do milho de forma menos eficaz do que a cana-de-a\u00e7\u00facar brasileira e a produ\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de ser fortemente subsidiada, \u00e9 protegida com elevadas taxas restritivas \u00e0 importa\u00e7\u00e3o do etanol brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;Esse acordo expressa a inten\u00e7\u00e3o dos dois pa\u00edses de cooperar no desenvolvimento e na difus\u00e3o dos biocombust\u00edveis em uma estrat\u00e9gia de tr\u00eas n\u00edveis: bilateral, com terceiros pa\u00edses e global. Atualmente, outro importante produtor e consumidor de biocombust\u00edveis na forma de biodiesel produzido a partir de produtos agr\u00edcolas \u00e9 a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, sendo Alemanha e Fran\u00e7a os maiores produtores mundiais desse recurso energ\u00e9tico&#8221;, destacou Masiero.<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o dos dois maiores produtores de etanol (Estados Unidos e Brasil) somada aos interesses de grandes produtores e, ao mesmo tempo, dos grandes consumidores de biocombust\u00edveis, dever\u00e1 impulsionar ainda mais o desenvolvimento de um mercado global dessa fonte renov\u00e1vel de energia.<\/p>\n<p>&#8220;Esse mercado pode ser impulsionado com a especializa\u00e7\u00e3o latino-americana de produ\u00e7\u00e3o de etanol e sua exporta\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses asi\u00e1ticos com restri\u00e7\u00f5es de terra e tecnologias para o seu desenvolvimento&#8221;, disse.<\/p>\n<p><strong>Parcerias latino-americanas<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/><\/strong>O estudo mostra que o Brasil conta com parcerias em biocombust\u00edveis com a maioria dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, sendo que, de modo geral, apenas o Chile e o Equador ainda n\u00e3o formalizaram um acordo com os brasileiros, apesar de j\u00e1 existirem negocia\u00e7\u00f5es informais para que isso ocorra.<br \/>A maior parte dos governos latino-americanos estaria buscando criar infra-estrutura regulat\u00f3ria e financeira para desenvolver a emergente ind\u00fastria de biocombust\u00edveis. O Brasil, devido ao pioneirismo no setor, tem firmado parcerias de transfer\u00eancia de tecnologia e coopera\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de biocombust\u00edveis com v\u00e1rios desses pa\u00edses.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, al\u00e9m da lideran\u00e7a brasileira na produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o dos biocombust\u00edveis, outros pa\u00edses latino-americanos come\u00e7am a desenvolver essa importante fonte de energia renov\u00e1vel. Na Col\u00f4mbia, por exemplo, a necessidade de diversifica\u00e7\u00e3o do consumo de energia e da produ\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria, junto com a possibilidade de cria\u00e7\u00e3o de novos empregos no campo com a substitui\u00e7\u00e3o das planta\u00e7\u00f5es de coca, tem impulsionado o pa\u00eds a investir no setor.<\/p>\n<p>As expectativas de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o bioenerg\u00e9tica tamb\u00e9m s\u00e3o grandes na Argentina, que por ser muito dependente de combust\u00edveis f\u00f3sseis tamb\u00e9m procura diversificar sua matriz energ\u00e9tica: tanto o setor privado como o p\u00fablico t\u00eam investido em pesquisas para obten\u00e7\u00e3o de tecnologias, em incentivos na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e no uso de combust\u00edveis mistos.<\/p>\n<p>A total depend\u00eancia externa do Paraguai por petr\u00f3leo e sua economia predominantemente agr\u00e1ria, aponta o artigo, tamb\u00e9m fazem desse pa\u00eds um forte candidato a desenvolver uma forte ind\u00fastria de biocombust\u00edveis. &#8220;Hoje, a mistura de 24% de etanol na gasolina \u00e9 obrigat\u00f3ria e 15 novos projetos vem sendo desenvolvidos pelo governo do pa\u00eds, alguns relacionados \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o de sebo animal para a produ\u00e7\u00e3o de biodiesel&#8221;, aponta o artigo escrito por Masiero e Heloisa Lopes, graduanda em administra\u00e7\u00e3o pela UnB.<\/p>\n<p>Ainda no contexto sul-americano, a Venezuela, que \u00e9 grande produtor de petr\u00f3leo, tamb\u00e9m possui potencial para ser um significativo produtor de biocombust\u00edveis devido ao seu clima, tamanho, topografia e quantidade de terras cultiv\u00e1veis. &#8220;No entanto, como ainda n\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica oficial do governo para o setor e a ind\u00fastria de a\u00e7\u00facar n\u00e3o possui estrutura suficiente para abastecer os dois mercados, aliment\u00edcio e energ\u00e9tico, o pa\u00eds parece permanecer como importador de etanol por mais alguns anos&#8221;, apontaram.<\/p>\n<p>Segundo o artigo, os elementos para o desenvolvimento dos biocombust\u00edveis tamb\u00e9m parecem estar presentes no Peru e no Uruguai. No primeiro pa\u00eds, uma estrutura legal b\u00e1sica que garante, entre outras coisas, \u00edndices de mistura nos combust\u00edveis, j\u00e1 foi institu\u00edda, al\u00e9m de que o pa\u00eds possui uma ind\u00fastria capaz de sustentar a produ\u00e7\u00e3o do etanol.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica energ\u00e9tica uruguaia, por sua vez, \u00e9 altamente integrada com a de outros pa\u00edses membros do Mercosul e apresenta um cen\u00e1rio favor\u00e1vel ao desenvolvimento de biocombust\u00edveis com um sistema legal forte, novos investimentos e mercados financeiros abertos. O Chile, por sua vez, apesar do interesse de iniciar a explora\u00e7\u00e3o do mercado de combust\u00edveis renov\u00e1veis por empresas locais e at\u00e9 pela brasileira Petrobras, ainda n\u00e3o produz biodiesel ou etanol, a exemplo do que ocorre no Equador.<\/p>\n<p>&#8220;Em pa\u00edses t\u00e3o diferentes como Argentina, Col\u00f4mbia e Peru, os governos est\u00e3o procurando instituir forte infra-estrutura regulat\u00f3ria para servir de base para essa nova ind\u00fastria, sendo na maior parte dos casos adapta\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia brasileira&#8221;, destaca o artigo.<\/p>\n<p><strong>Pa\u00edses asi\u00e1ticos<\/strong><\/p>\n<p><strong><br \/><\/strong>O estudo da UnB ressalta ainda a import\u00e2ncia dos pa\u00edses asi\u00e1ticos no desenvolvimento da emergente ind\u00fastria dos biocombust\u00edveis. Do ponto de vista da produ\u00e7\u00e3o e do consumo, a China e a \u00cdndia seriam os principais atores no mercado de biocombust\u00edveis, sendo, respectivamente, o 3\u00ba e 4\u00ba maiores produtores mundiais de etanol e o 5\u00ba e 6\u00ba maiores produtores de biodiesel.<br \/>A ind\u00fastria automobil\u00edstica chinesa, uma das que mais crescem no mundo, tamb\u00e9m dever\u00e1 impulsionar a expans\u00e3o de iniciativas voltadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e ao consumo de biocombust\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;O mesmo processo est\u00e1 ocorrendo com a \u00cdndia, onde a r\u00e1pida expans\u00e3o de sua ind\u00fastria automobil\u00edstica pressiona o pa\u00eds para reduzir seus 70% de depend\u00eancia en\u00e9rgica do exterior, al\u00e9m de que a vasta extens\u00e3o territorial do pa\u00eds e sua larga tradi\u00e7\u00e3o agr\u00edcola possibilitam imaginar que suas ainda incipientes iniciativas na \u00e1rea do biodiesel e etanol se expandam rapidamente&#8221;, disse Masiero.<\/p>\n<p>\u00cdndia e Brasil s\u00e3o os dois maiores produtores mundiais de cana-de-a\u00e7\u00facar e, desde 2003, possuem um memorando para coopera\u00e7\u00e3o no desenvolvimento tecnol\u00f3gico do uso de etanol como combust\u00edvel. O estudo mostra ainda que o Jap\u00e3o e a Coreia do Sul s\u00e3o os grandes produtores de etanol a partir do arroz para uso na ind\u00fastria de bebidas e de alimentos, mas por outro lado os dois s\u00e3o 100% dependentes da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo para movimentar suas ind\u00fastrias e frotas de ve\u00edculos.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o n\u00e3o existe nenhuma medida governamental obrigando ao uso de biocombust\u00edveis, mas o governo daquele pa\u00eds tem incentivado a mistura de 3% na gasolina, enquanto na Coreia do Sul apenas 0,5% de biodiesel proveniente do arroz ou de \u00f3leos reciclados \u00e9 misturado ao diesel.<br \/>&#8220;Al\u00e9m das restri\u00e7\u00f5es de \u00e1reas agricult\u00e1veis, a maior parte dos pa\u00edses asi\u00e1ticos apresenta grande densidade demogr\u00e1fica. \u00c0 inseguran\u00e7a alimentar pode-se se somar a inseguran\u00e7a energ\u00e9tica, o que estimula ainda mais os acordos de coopera\u00e7\u00e3o entre esses pa\u00edses e os latino-americanos, que produzem os mesmos insumos b\u00e1sicos para a produ\u00e7\u00e3o de etanol ou biodiesel&#8221;, afirmou Masiero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do site Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gicaPor Thiago Romero No mercado ainda em forma\u00e7\u00e3o das energias alternativas ao petr\u00f3leo, os pa\u00edses latino-americanos s\u00e3o vistos como potenciais fornecedores de etanol e outros biocombust\u00edveis, enquanto as economias asi\u00e1ticas, devido ao grande crescimento econ\u00f4mico e \u00e0 car\u00eancia de recursos energ\u00e9ticos para mant\u00ea-lo, seriam os principais consumidores.\u00c9 o que destaca um estudo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":12,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"inline_featured_image":false,"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-314","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lista-de-noticias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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