{"id":8607,"date":"2019-05-30T14:11:44","date_gmt":"2019-05-30T17:11:44","guid":{"rendered":"http:\/\/ww16.ce.gov.br\/secult\/?p=8607"},"modified":"2019-05-30T14:15:38","modified_gmt":"2019-05-30T17:15:38","slug":"artigo-a-crianca-e-a-dona-do-mundo-e-o-mundo-e-a-cultura-por-fabiano-piuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ce.gov.br\/secult\/2019\/05\/30\/artigo-a-crianca-e-a-dona-do-mundo-e-o-mundo-e-a-cultura-por-fabiano-piuba\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; A crian\u00e7a \u00e9 a dona do mundo e o mundo \u00e9 a cultura, por Fabiano Pi\u00faba"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8608\" src=\"https:\/\/ww16.ce.gov.br\/secult\/wp-content\/uploads\/sites\/83\/2019\/05\/MG_2030.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.ce.gov.br\/secult\/wp-content\/uploads\/sites\/83\/2019\/05\/MG_2030.jpg 900w, https:\/\/www.ce.gov.br\/secult\/wp-content\/uploads\/sites\/83\/2019\/05\/MG_2030-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.ce.gov.br\/secult\/wp-content\/uploads\/sites\/83\/2019\/05\/MG_2030-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>GOVERNO DO ESTADO DO CEAR\u00c1<\/strong><br \/>\n<strong>II SEMIN\u00c1RIO INTERNACIONAL MAIS INF\u00c2NCIA<\/strong><br \/>\n<strong>Mesa: Do direito \u00e0 cultura, ao esporte e ao lazer<\/strong><br \/>\n<strong>Fortaleza, 29 de maio de 2019<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>A CRIAN\u00c7A \u00c9 A DONA DO MUNDO E O MUNDO \u00c9 A CULTURA, p<\/strong><strong>or Fabiano dos Santos Pi\u00faba*<\/strong><\/p>\n<p><em>Pai, quem plantou aquela \u00e1rvore ali?<\/em><\/p>\n<p><em>A noite recolheu a nossa sombra<\/em><\/p>\n<p><em>\u00e9 hora de sonhar e de dormir<\/em><\/p>\n<p><em>mas o menino quer ouvir<\/em><\/p>\n<p><em>hist\u00f3rias da sombra de uma \u00e1rvore<\/em><\/p>\n<p><em>que ali foi plantada, sabe Deus, por quem?<\/em><\/p>\n<p><em>Um homem?<\/em><\/p>\n<p><em>Um vento?<\/em><\/p>\n<p><em>Uma \u00e1gua?<\/em><\/p>\n<p><em>Um sol?<\/em><\/p>\n<p><em>Uma lua?<\/em><\/p>\n<p>Um tempo?<\/p>\n<p>Jo\u00e3o devia tem cinco a seis anos de idade quando, ao se deparar com uma \u00e1rvore enorme na rua, perguntou-me: \u201cPai, quem plantou aquela \u00e1rvore ali?\u201d Ficamos a imaginar. Naquela noite fiz esse acalanto e cantei para ele como numa conversa po\u00e9tica e filos\u00f3fica com meu filho. O acalanto foi composto mais por perguntas do que por respostas. As perguntas nos fazem caminhar. Nos fazem conversar.<\/p>\n<p>A arte e a cultura sempre estiveram presentes em minha vida. Tive uma av\u00f3 que contava hist\u00f3rias encantando as palavras. Uma m\u00e3e que lia hist\u00f3rias embalando as palavras. E um pai que contava hist\u00f3rias sem medir as palavras. Tive tamb\u00e9m uma professora na alfabetiza\u00e7\u00e3o que nos ensinava a ler desenhando o sentido das palavras. Cresci sendo povoado por essas vozes. Os adultos emprestam suas vozes para dar vida aos textos orais e escritos.<\/p>\n<p>Fui pai muito jovem, aos 20 anos de idade. Meu filho Pedro nasceu e eu nem sabia direito como construir o mundo com ele. Foi quando lembrei das hist\u00f3rias de minha av\u00f3 e de meu pai e das leituras noturnas de minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, todas as noites, eu e Maria cant\u00e1vamos acalanto e l\u00edamos hist\u00f3rias na rede azul para Pedro dormir. Mas teve um dia e a crian\u00e7a mudou o rumo da coisa. Pedro falou uma frase no meio do tempo como se estivesse soprando uma folha:<\/p>\n<p>\u2014 Estou esperando as borboletas. As borboletas bem grand\u00e3o. Daquelas que vua.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou dez segundos e completou:<\/p>\n<p>\u2014 Elas foram todas embora porque tinham o gostinho da m\u00e3ezinha delas.<\/p>\n<p>Pulei da rede, peguei o caderno e fui anotar as frases que sa\u00edam do universo do menino. Desde ent\u00e3o, Pedro Victor tamb\u00e9m come\u00e7ou a contar hist\u00f3rias. O que era de bicho se transformando em gente e gente se transformando em bicho n\u00e3o estava nas hist\u00f3rias em quadrinhos. O tempo foi passando e tive que comprar um gravador para acompanhar as hist\u00f3rias de antes do sono. Depois nasceu o Jo\u00e3o e vivenciamos a mesma coisa. S\u00f3 que Jo\u00e3o gostava tamb\u00e9m de contar seus sonhos logo de manh\u00e3. Hoje temos mais de 1001 hist\u00f3rias da inf\u00e2ncia guardadas em folhas, em fitas cassetes, na mem\u00f3ria e no cora\u00e7\u00e3o da gente.<\/p>\n<p>Ao longo desse tempo, sempre procurava chegar em casa com livros que logo eram transformados em brinquedos ou jogos de inventar mundos diversos. Foi assim que descobrimos os livros de grandes autores da literatura universal e infantil, tanto brasileira como de outros pa\u00edses, bem como reencontrei contos cl\u00e1ssicos e lendas populares.<\/p>\n<p>Era com esse universo que a gente brincava de ler o mundo. Tinha horas que cada um lia na sua, desprendido do tempo. Mas, na maioria das vezes, escolh\u00edamos um livro para lermos juntos, estirados no tapete ou deitados na cama, naquela horinha do sono ou num fim de tarde de domingo. Essas leituras nos sugeriam dire\u00e7\u00f5es e encontros diversos. \u00c0s vezes, nos levava para um filme, uma can\u00e7\u00e3o, uma brincadeira, uma lembran\u00e7a, um sonho, uma ideia, um sentimento ou para outro livro. E assim, a gente ia estabelecendo rela\u00e7\u00f5es entre o que se lia com o mundo e com a vida de cada um. Nessa viv\u00eancia, montamos uma biblioteca que gost\u00e1vamos de compartilhar com os primos, sobrinhos, tios e amigos.<\/p>\n<p>Gosto de pensar o adulto como um mediador cultural na rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com o mundo. Tem um belo conto que ilustra bem esse sentido:<\/p>\n<p><strong>A fun\u00e7\u00e3o da arte \/ 1<\/strong><\/p>\n<p>Diego n\u00e3o conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar.<\/p>\n<p>Viajaram para o Sul.<\/p>\n<p>Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando.<\/p>\n<p>Quando o menino e o pai enfim alcan\u00e7aram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensid\u00e3o do mar, e tanto fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.<\/p>\n<p>E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai:<\/p>\n<p>&#8211; Me ajuda a olhar!<br \/>\nO Livro dos Abra\u00e7os &#8211; Eduardo Galeano<\/p>\n<p>Ajude-me a olhar! A partir desse conto podemos pensar o papel dos pais, dos professores, dos educadores e mediadores culturais na forma\u00e7\u00e3o de nossas crian\u00e7as. Talvez a nossa fun\u00e7\u00e3o primordial seja exatamente esta: ajudar as nossas crian\u00e7as a olharem e constru\u00edrem o mundo com seus pr\u00f3prios olhos. Proponho aqui uma via de m\u00e3o dupla. Pois meus filhos me ajudaram muito a olhar o mar tamb\u00e9m com seus olhares de crian\u00e7as. Deixemos a voz com o poeta portugu\u00eas Fernando Pessoa:<\/p>\n<p>A Crian\u00e7a Eterna acompanha-me sempre.<br \/>\nA dire\u00e7\u00e3o do meu olhar \u00e9 o seu dedo apontando.<br \/>\nO meu ouvido atento alegremente a todos os sons<br \/>\nS\u00e3o as c\u00f3cegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.<\/p>\n<p>Damo-nos t\u00e3o bem um com o outro<br \/>\nNa companhia de tudo<br \/>\nQue nunca pensamos um no outro,<br \/>\nMas vivemos juntos e dois<br \/>\nCom um acordo \u00edntimo<br \/>\nComo a m\u00e3o direita e a esquerda.<\/p>\n<p>Nessa media\u00e7\u00e3o cultural, o que conta n\u00e3o \u00e9 apenas o mundo que o adulto pensa, mas o mundo que a crian\u00e7a pode criar, escrever, ler, desenhar, cantar, dan\u00e7ar, fruir e inventar. O mundo que a crian\u00e7a pode construir inspirada nalguma f\u00e1bula, conto, poema, can\u00e7\u00e3o, m\u00fasica, dan\u00e7a, teatro, cinema. Nessa rela\u00e7\u00e3o o que conta \u00e9 a express\u00e3o art\u00edstica e o que ela possibilita de di\u00e1logo e de leitura de mundo por parte da crian\u00e7a. A crian\u00e7a como sujeita de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Podemos sentir isso no belo poema Inf\u00e2ncia de Carlos Drummond de Andrade:<\/p>\n<p>Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e ficava sentada cosendo.<\/p>\n<p>Meu irm\u00e3o pequeno dormia.<\/p>\n<p>Eu sozinho menino entre as mangueiras<\/p>\n<p>lia a hist\u00f3ria de Robinson Cruso\u00e9.<\/p>\n<p>Comprida hist\u00f3ria que n\u00e3o acaba mais.<\/p>\n<p>No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu<\/p>\n<p>A ninar nos longes da senzala \u2013 e nunca se esqueceu<\/p>\n<p>Chamava para o caf\u00e9.<\/p>\n<p>Caf\u00e9 preto que nem a preta velha<\/p>\n<p>caf\u00e9 gostoso<\/p>\n<p>caf\u00e9 bom.<\/p>\n<p>Minha m\u00e3e ficava sentada cosendo<\/p>\n<p>olhando para mim:<\/p>\n<p>\u2014 Psiu&#8230; N\u00e3o acorde o menino.<\/p>\n<p>Para o ber\u00e7o onde pousou um mosquito.<\/p>\n<p>E dava um suspiro&#8230; que fundo!<\/p>\n<p>L\u00e1 longe meu pai campeava<\/p>\n<p>no mato sem fim da fazenda.<\/p>\n<p>E eu n\u00e3o sabia que minha hist\u00f3ria<\/p>\n<p>era mais bonita que a de Robinson Cruso\u00e9.<\/p>\n<p>Com esse poema podemos perceber a centralidade na inf\u00e2ncia, na crian\u00e7a. Certa vez perguntaram para o indianista Orlando Villas-B\u00f4as o que de mais profundo ele aprendeu com o conv\u00edvio com os \u00edndios brasileiros. Foi quando ele respondeu:<\/p>\n<p>\u2013 Na tribo, o velho \u00e9 o dono da hist\u00f3ria, o adulto \u00e9 o dono da aldeia e a crian\u00e7a \u00e9 a dona do mundo.<\/p>\n<p>Temos aqui uma s\u00edntese muito potente para pensarmos a dimens\u00e3o das pol\u00edticas culturais voltadas para a inf\u00e2ncia. O velho como dono da hist\u00f3ria \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria e do patrim\u00f4nio cultural. O adulto dono da aldeia \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o da media\u00e7\u00e3o cultural com a comunidade e o territ\u00f3rio. A crian\u00e7a como dona do mundo \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o da prioridade na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>No Cear\u00e1, a partir do Governo Camilo Santana, a inf\u00e2ncia tem ganhado prioridade nas pol\u00edticas p\u00fablicas de forma intersetorial atrav\u00e9s do programa Mais Inf\u00e2ncia. Entre o primeiro e este segundo semin\u00e1rio, podemos perceber os avan\u00e7os alcan\u00e7ados e os desafios que nos instigam a pensar uma pol\u00edtica integrada com prioridade na inf\u00e2ncia e com \u00eanfase na primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito da pol\u00edtica cultural, o Governador Camilo Santana sancionou a A Lei N\u00ba 122\/2017 que institui o Plano de Cultura Inf\u00e2ncia do Cear\u00e1. Este Plano \u00e9 resultado de uma constru\u00e7\u00e3o social e coletiva com a sociedade civil que tomou a iniciativa de propor para a Secretaria da Cultura do Estado do Cear\u00e1 (Secult-CE) a formula\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o do Plano de Cultura Inf\u00e2ncia. A inst\u00e2ncia cearense do F\u00f3rum Nacional Cultura Inf\u00e2ncia \u2013 composto por diversas institui\u00e7\u00f5es sociais \u2013 tem uma atua\u00e7\u00e3o muito forte no Cear\u00e1 e seu papel foi fundante para que o Estado fosse o primeiro a ter uma lei pr\u00f3pria de pol\u00edtica cultural voltada para a inf\u00e2ncia no Brasil.<\/p>\n<p>O Plano de Cultura Inf\u00e2ncia do Cear\u00e1 \u00e9 uma ferramenta de planejamento estrat\u00e9gico, de dura\u00e7\u00e3o decenal, que define os rumos da pol\u00edtica cultural, organiza, regula e norteia a execu\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Estadual de Cultura Inf\u00e2ncia, assim como estabelece estrat\u00e9gias, metas, prazos e recursos necess\u00e1rios \u00e0 sua implementa\u00e7\u00e3o. O Plano conta com quatro eixos tem\u00e1ticos: cidadania e diversidade cultural, patrim\u00f4nio cultural, linguagens art\u00edsticas e educa\u00e7\u00e3o e cultura.<\/p>\n<p>\u201cPara os fins desta Lei, entende-se por Cultura Inf\u00e2ncia o fen\u00f4meno social e humano de m\u00faltiplos sentidos que abrange, diretamente ou indiretamente, a categoria geracional de 0 (zero) at\u00e9 12 (doze) anos de idade, perpassando por toda sua extens\u00e3o antropol\u00f3gica, sociol\u00f3gica, pol\u00edtica, \u00e9tica, est\u00e9tica, simb\u00f3lica, produtiva e econ\u00f4mica e respeitando as peculiaridades das diferentes fases da inf\u00e2ncia, sendo a crian\u00e7a, dentro desse escopo, entendida como sujeito hist\u00f3rico-cultural e de direitos com prioridade absoluta, produtor de cultura e capaz de desenvolver suas diversas linguagens, destacando-se o brincar como a sua principal linguagem, a partir da\u00ed construindo suas compreens\u00f5es e significa\u00e7\u00f5es do mundo e de si pr\u00f3pria mediante a intera\u00e7\u00e3o com outras crian\u00e7as e com os outros membros da sociedade, sem deixar de considerar a relev\u00e2ncia das manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e culturais produzidas e fru\u00eddas pela crian\u00e7a, com a crian\u00e7a e para a crian\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p><strong>O Plano estabelece oito metas que delineiam nosso mapa de navega\u00e7\u00e3o para 10 anos. S\u00e3o elas:<\/strong><\/p>\n<p>01. Garantir no prazo de 10 anos, ap\u00f3s a aprova\u00e7\u00e3o do Plano Estadual da Cultura Inf\u00e2ncia, que 100 % dos munic\u00edpios do Estado do Cear\u00e1 ter\u00e3o espa\u00e7os p\u00fablicos, como pra\u00e7as, parques e outros, dotados de infraestrutura voltada para o acolhimento de atividades de Cultura Inf\u00e2ncia;<\/p>\n<p>02. Criar o Programa Estadual Cultura Viva para a Inf\u00e2ncia;<\/p>\n<p>03. Assegurar que o Governo do Estado do Cear\u00e1, em parceria com os governos municipais e outros parceiros p\u00fablicos e privados, crie pol\u00edticas e mecanismos para facilitar a mobilidade de fam\u00edlias e crian\u00e7as a espa\u00e7os culturais dentro e fora da sua cidade;<\/p>\n<p>04. Assegurar a transmiss\u00e3o dos saberes e fazeres dos Mestres da Cultura \u00e0s crian\u00e7as;<\/p>\n<p>05. Criar um programa de educa\u00e7\u00e3o patrimonial voltado para a inf\u00e2ncia;<\/p>\n<p>06. Realizar mapeamento das express\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 cultura e inf\u00e2ncia em 100% dos munic\u00edpios cearenses;<\/p>\n<p>07. Criar um programa de forma\u00e7\u00e3o permanente de Cultura Inf\u00e2ncia para artistas, gestores, comunicadores, agentes culturais, professores, educadores e interessados;<\/p>\n<p>08. Apoiar institui\u00e7\u00f5es e espa\u00e7os culturais que desenvolvam atividades com e para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Dentre algumas a\u00e7\u00f5es realizadas, podemos destacar o Edital Cultura Inf\u00e2ncia. O edital \u00e9 um mecanismo de fomento destinado exclusivamente a conceder apoio financeiro a projetos de Cultura Inf\u00e2ncia em tr\u00eas categorias: I. Cria\u00e7\u00e3o, Produ\u00e7\u00e3o, Circula\u00e7\u00e3o e Frui\u00e7\u00e3o; II. Forma\u00e7\u00e3o e Pesquisa e III. Mem\u00f3ria Cultural. Em sua primeira edi\u00e7\u00e3o foram contemplados 30 projetos com um investimento global de R$ 1,0 milh\u00e3o de reais. Outra a\u00e7\u00e3o importante \u00e9 o projeto Agentes de Leitura \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o de promo\u00e7\u00e3o do acesso ao livro atrav\u00e9s de jovens que atuam em suas pr\u00f3prias comunidades, criando ambientes favor\u00e1veis para a forma\u00e7\u00e3o leitora dentro das casas, atendendo fam\u00edlias com \u00eanfase na inf\u00e2ncia, compreendendo a literatura infantil como uma express\u00e3o rica para forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as leitoras. A Rede das Escolas da Cultura composta por equipamentos culturais vinculados \u00e0 Secretaria da Cultura do Estado do Cear\u00e1 \u2013 a exemplo da Escola Vila da M\u00fasica no Crato \u2013 e as escolas de forma\u00e7\u00e3o art\u00edstica e cultural de institui\u00e7\u00f5es da sociedade civil \u2013 tais como a EDISCA, Vidan\u00e7a, Tapera das Artes e Casa de Vov\u00f3 Ded\u00e9 \u2013 s\u00e3o ambientes de forma\u00e7\u00e3o que priorizam a inf\u00e2ncia. Podemos destacar que na programa\u00e7\u00e3o dos equipamentos culturais da Secult-CE existem atividades e espet\u00e1culos voltados para frui\u00e7\u00e3o art\u00edstica com aten\u00e7\u00e3o integral para as crian\u00e7as de maneira compartilhada entre seus pais e professores. Os projetos \u201cEscola no Cinema\u201d do Cineteatro S\u00e3o Luiz e \u201cPintando do Drag\u00e3o\u201d do Centro Cultural Drag\u00e3o do Mar de Arte e Cultura s\u00e3o boas pr\u00e1ticas que ilustram essa tipologia de programa\u00e7\u00e3o. O circuito de eventos culturais tamb\u00e9m \u00e9 um ambiente importante para a forma\u00e7\u00e3o dos repert\u00f3rios culturais de nossas crian\u00e7as. A Bienal Internacional do Livro do Cear\u00e1 realizada pela Secult-CE \u00e9 um lugar fabuloso para promo\u00e7\u00e3o da leitura compartilhada entre pais e filhos, alunos e professores com uma programa\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e espa\u00e7o pr\u00f3prio para a inf\u00e2ncia. Ainda nesse circuito dos eventos culturais, a Secult-CE apoia festivais por meio do Edital Mecenas do Cear\u00e1 e merece destaque nesse campo, o TIC \u2013 Festival de Teatro Infantil do Cear\u00e1, um espa\u00e7o familiar de espet\u00e1culos que re\u00fane teatro de anima\u00e7\u00e3o, teatro visual, teatro de bonecos e circo promovido pelas institui\u00e7\u00f5es Seara e Invento Produ\u00e7\u00f5es Culturais.<\/p>\n<p>O que o Plano de Cultura Inf\u00e2ncia estabelece \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o do direito \u00e0 arte e a cultura para inf\u00e2ncia como fatores indispens\u00e1veis de humaniza\u00e7\u00e3o e de amplia\u00e7\u00e3o dos repert\u00f3rios culturais das crian\u00e7as e o papel do mediador cultural como atores sociais e educativos nesse processo. A arte e a cultura contribuem para o bem-estar e para o desenvolvimento integrado da inf\u00e2ncia. Por isso que ela se constitui como um direito desde a gesta\u00e7\u00e3o e da mais tenra idade. De acordo com a atriz Phylicia Rashad. \u201cantes de uma crian\u00e7a come\u00e7ar a falar, ela canta. Antes de escrever, ela desenha. No momento que consegue ficar de p\u00e9, ela dan\u00e7a. Arte \u00e9 fundamental para a express\u00e3o humana\u201d.<\/p>\n<p>Toda crian\u00e7a tem o direito \u00e0s artes e \u00e0 cultura. O direito de ir ao teatro, ao cinema, \u00e0 biblioteca, ao museu, \u00e0 pinacoteca, ao centro cultural, ao parque, \u00e0 pra\u00e7a. O direito de ler e escrever o mundo. O direito de cantar o mundo. O direito de dan\u00e7ar o mundo. O direito de interpretar e expressar o mundo. O direito de brincar e se divertir com o mundo. O direito de lembar e celebrar a mem\u00f3ria social e o patrim\u00f4nio cultural do mundo. Toda crian\u00e7a tem o direito \u00e0s artes e \u00e0 cultura para crescer, brincar, pensar, criar e reinventar o mundo com sua pr\u00f3pria exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas n\u00f3s adultos \u2013 av\u00f3s, av\u00f4s, pais, m\u00e3es, tios, tias, professores, professoras, artistas, agentes culturais e sociais \u2013 temos um papel vital para garantir o exerc\u00edcio pleno do direito \u00e0 arte e a cultura para as crian\u00e7as porque somos os mediadores culturais nessa defesa que a crian\u00e7a \u00e9 a dona do mundo. Por isso que essa media\u00e7\u00e3o deve ser feita com muita responsabilidade, compromisso, compet\u00eancia, capacidade, mas tamb\u00e9m como muito afeto, ternura e amor. Esse \u00e9 o caminho: a pedagogia da ternura e a arte do amor.<\/p>\n<p>O contato, o tato e a experi\u00eancia com a arte compartilhada entre adultos e crian\u00e7as possibilitam a amplia\u00e7\u00e3o dos repert\u00f3rios culturais e contribuem de maneira central no desenvolvimento f\u00edsico, cognitivo, social e afetivo da crian\u00e7a. A arte \u00e9 movimento, \u00e9 pensamento, \u00e9 rela\u00e7\u00e3o e \u00e9 sentimento. Ao tempo em que ela possibilita uma melhor leitura, compreens\u00e3o, interpreta\u00e7\u00e3o e intera\u00e7\u00e3o com o mundo, com o outro e com a vida em sociedade \u2013 considerando o respeito e o conv\u00edvio com a diferen\u00e7a e com a diversidade cultural, \u00e9tnica, de g\u00eanero e de territ\u00f3rios \u2013 ela possibilita um aconchego entre adultos e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Por esse sentido e sentimento, finalizo compartilhando um acalanto de meu amigo Eduardo Loureiro J\u00fanior que eu gostava de cantar na rede azul cor de sonho quando meus filhos eram bem crian\u00e7as:<\/p>\n<p><strong><em>ACALANTO<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>J\u00e1 \u00e9 hora de dormir<\/em><\/p>\n<p><em>E eu vou cantar<\/em><\/p>\n<p><em>Pro amor que encontrei<\/em><\/p>\n<p><em>Sem procurar.<\/em><\/p>\n<p><em>Pois a vida \u00e9 mesmo assim:<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 o que \u00e9<\/em><\/p>\n<p><em>Trouxe voc\u00ea de presente para mim.<\/em><\/p>\n<p><em>Toda crian\u00e7a \u00e9 um presente sagrado da vida e do cosmo.<\/em><\/p>\n<p><strong>* Fabiano dos Santos Pi\u00faba.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Doutor em Educa\u00e7\u00e3o e Mestre em Hist\u00f3ria. Historiador, professor, escritor e gestor cultural. Atual secret\u00e1rio de Cultura do Estado do Cear\u00e1.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; GOVERNO DO ESTADO DO CEAR\u00c1 II SEMIN\u00c1RIO INTERNACIONAL MAIS INF\u00c2NCIA Mesa: Do direito \u00e0 cultura, ao esporte e ao lazer Fortaleza, 29 de maio de 2019 A CRIAN\u00c7A \u00c9 A DONA DO MUNDO E O MUNDO \u00c9 A CULTURA, por Fabiano dos Santos Pi\u00faba* Pai, quem plantou aquela \u00e1rvore ali? 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