Cultura

Pinacoteca do Ceará promove mostra de curtas “Cidade dos Afetos” com debates e exibições gratuitas

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Pinacoteca do Ceará promove mostra de curtas “Cidade dos Afetos” com debates e exibições gratuitas
Texto: Ascom Secult
Fotos: Pâmila Luik

Nos dias 7 e 8 de maio, a programação reúne oito filmes que investigam a memória, o cotidiano e as fabulações sobre Fortaleza. Atividade conta com a presença de realizadores e pesquisadores cearenses

A Pinacoteca do Ceará, que integra a Rede de Equipamentos e Espaços Culturais da Secretaria da Cultura do Ceará (SECULT-CE) e é gerida em parceria com o Instituto Mirante,realiza nos dias 7 e 8 de maio a mostra de curtas-metragens “Cidade dos Afetos”. Com curadoria de Felipe Gurgel, a programação gratuita ocupa o auditório do museu com sessões seguidas de debates. A mostra propõe pensar Fortaleza como um território de camadas sobrepostas, onde memória, presença e desejo de futuro se encontram.

A mostra parte da ideia de que a cidade não é apenas o que se vê, mas o que permanece dela após as constantes demolições, construções e mudanças de rotina. Fortaleza se apresenta como um organismo vivo, moldado pelos gestos e deslocamentos de quem a povoa. O curador Felipe Gurgel, realizador e roteirista formado em Cinema pela UFC, selecionou oito filmes que atravessam essa cartografia urbana, organizando a programação em movimentos que vão do íntimo ao coletivo e do passado ao porvir. 

As sessões ocorrem no período da tarde, oferecendo 100 vagas por dia, preenchidas por ordem de chegada. A atividade foi selecionada pelo Edital de Credenciamento de Atividades Artísticas e Formativas, lançado pelo museu em 2025.

PROGRAMAÇÃO 

A primeira sessão está marcada para quinta-feira (7), às 13h30. O filme de abertura é Supermemórias (2010), de Danilo Carvalho, que utiliza registros caseiros das décadas de 60, 70 e 80 para criar uma poesia coletiva sobre a cidade. Após a exibição, haverá um debate com o diretor Danilo Carvalho e a artista visual Fernanda Meireles. Em seguida,às 15h30, a segunda sessão da mostra foca nos modos de habitar o território com os filmes Curió (2022), de Priscila Smiths e P.H. Diaz, Muxarabi (2021), de Samuel Brasileiro e Natália Maia, e Europa (2011), de Leonardo Mouramateus. Os filmes desenham um mosaico de bairros e cotidianos, revelando a construção coletiva da cidade e encerrando o dia com debate mediado pelos diretores Samuel Brasileiro e Natália Maia.

Na sexta-feira (8), as atividades retomam às 13h30.  A terceira sessão exibe os filmes “Boca de Loba” (2018) e “A Velha e o Mar” (2005). As obras tensionam o presente e imaginam outras possibilidades de existência na cidade, especialmente sob perspectivas femininas, seguidas de debate com a diretora Andréia Pires. O encerramento da mostra ocorre na quarta sessão, às 15h30, com o longa-metragem “Pajeú” (2020), de Pedro Diógenes. O filme mergulha no soterramento histórico do riacho que atravessa o Centro de Fortaleza, finalizando a mostra com um debate com o roteirista Pedro Cândido e o pesquisador Rodrigo Gadelha.

CONHEÇA OS CONVIDADOS

Felipe Gurgel é realizador e roteirista cearense, formado em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Seu primeiro trabalho como roteirista de curta-metragem, “Deságua”, concorreu ao prêmio de melhor roteiro na Mostra Cine Urutu 2025 e circulou por diversos festivais nacionais e internacionais. Ao longo de sua trajetória, acumulou experiência como fotógrafo, designer gráfico, editor de vídeo e produtor cultural. Atuou também como professor de audiovisual na Rede Cuca e, atualmente, dedica-se à pesquisa em roteiro e à curadoria de cinema.

Danilo Carvalho é realizador cinematográfico, técnico de som direto, desenhista sonoro e artista visual. Membro fundador do coletivo Alumbramento, dirigiu obras como “Supermemórias” (2010) e os longas “Torquato – Imagem da Incompletude” (2020) e “Virar Mar” (2021), este último filmado entre o sertão cearense e a Alemanha. Atuou no desenho sonoro de filmes como “Praia do Futuro”, de Karim Aïnouz, e “Tatuagem”, de Hilton Lacerda. Com formação em Música pela UECE, foi integrante do grupo Cidadão Instigado e tocou com o cantor Belchior. Atualmente, é sócio-fundador da produtora Filmes de Brinquedo, no Piauí.

Fernanda Meireles é artista visual, escritora e educadora. Graduada em Letras pela UECE, mestre em Comunicação e doutoranda em Artes pela UFC, desenvolve pesquisas e metodologias artísticas através da Loja sem Paredes e da Escola sem Paredes. Sua prática investiga temas como memória social, fotografia, zines e Direitos Humanos. Com experiência na coordenação de linguagens artísticas em equipamentos como o CCBJ e a Biblioteca Pública Estadual do Ceará (BECE), integra coletivos como o Sapato Largo e o Clube de Leitura Meu Tempo é Agora. Fernanda é uma pesquisadora trans não-binária.

Natália Maia e Samuel Brasileiro são diretores, roteiristas e professores de cinema de Fortaleza. Sócios da Bordo Filmes, dirigiram curtas-metragens premiados como “Muxarabi” (2021), “Rua Dinorá” (2022) e “Fortaleza Liberta” (2025). Assinaram o roteiro do aclamado longa-metragem “Pacarrete” (2019) e criaram a série “Lana & Carol”. Atualmente, desenvolvem o longa-metragem “Correnteza” e preparam a produção de “A Estranha Familiar”, reafirmando a força do protagonismo coletivo e das narrativas cearenses no cenário nacional.

Andréia Pires é artista da cena, diretora, coreógrafa e preparadora de elenco. Mestre em Artes pela UFC, possui graduação em Artes Cênicas e formação técnica em Dança. Atuou como professora nos cursos de Dança, Teatro e Cinema da UFC. Em sua carreira, dirigiu e roteirizou diversos filmes e espetáculos, com ênfase em produções que emergem de processos coletivos. Investiga as relações entre corpo, imagem e política e integra a Inquieta Cia., grupo de referência na criação e experimentação cênica em Fortaleza.

Pedro Cândido é roteirista e pesquisador, doutorando em Comunicação pela UFPE e mestre pela UFC, onde pesquisou imagem, memória e narrativas de si. Participou de laboratórios de cinema de prestígio, como o do Porto Iracema das Artes e o Laboratório Novas Histórias do Sesc SP. É roteirista e produtor do longa-metragem “Fiz um foguete imaginando que você vinha”, selecionado para a seção Berlinale Forum do 76º Festival de Berlim, onde recebeu o Prêmio do Júri Tagesspiegel. Atuou também como professor substituto na UFC.

Rodrigo Gadelha é jornalista, pesquisador, curador e realizador audiovisual. Mestre em Comunicação pela UFC, desenvolve pesquisas focadas na exploração dos espaços domésticos e da intimidade no cinema brasileiro contemporâneo. Dirigiu o curta-documentário “Topera” (2024), exibido no Cine Ceará. Atualmente, exerce as funções de curador e programador no Cineteatro São Luiz e na plataforma de streaming Siará+. Desenvolve ainda projetos de pesquisa e memória cultural no Minimuseu Firmeza, articulando as linguagens do cinema e das artes visuais.

SOBRE A PINACOTECA DO CEARÁ 

Inaugurada em dezembro de 2022 pelo Governo do Ceará, a Pinacoteca do Ceará tem a missão de salvaguardar, preservar, pesquisar e difundir a coleção artística da instituição, sendo espaço de ações formativas com artistas, comunidade escolar, famílias, movimentos sociais, organizações não governamentais e demais profissionais do campo das artes e da cultura. Trata-se de um espaço de experimentação, pesquisa e reflexão para promover o diálogo entre arte e educação a partir de práticas artísticas. Desde a abertura, o museu já recebeu mais de 272 mil visitantes.

SERVIÇO 

MOSTRA “CIDADE DOS AFETOS”

Curadoria de Felipe Gurgel

Quando: 7 e 8 de maio, quinta e sexta-feira, de 13h30 às 18h

Local: Auditório da Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de Maio, s/n, Praça da Estação, Centro)

Acesso: Gratuito, 100 vagas por sessão, acesso por ordem de chegada

7/5 – Quinta

Sessão 1 | 13h30 às 15h00

Exibição de Supermemórias 20’ (2010)

Classificação indicativa: Livre

seguido de debate com Danilo Carvalho e Fernanda Meireles

Sessão 2 | 15h30 às 18h00

Curió 20’ (2022)

Muxarabi 18’ (2021)

Europa 19’ (2011)

Classificação indicativa: 12 anos

seguido de debate com Samuel Brasileiro e Natália Maia

8/5 – Sexta 

Sessão 3 | 13h30 às 15h00

Boca de loba 19’ (2018)

A velha e o mar 13’ (2005)

Classificação indicativa: 12 anos

seguido de debate com Andréia Pires

Sessão 4 | 15h30 às 17h30

Pajeú 74’ (2020)

Classificação indicativa: Livre

seguido de debate com Pedro Cândido e Rodrigo Gadelha