Uso racional de remédios: farmacêutica do HGF conscientiza sobre os perigos da automedicação

Medicações só devem ser tomadas com orientação de profissional de saúde
A automedicação é uma prática comum que esconde riscos severos a quem se medica sem autorização e até à saúde pública. São consequências como intoxicação, ocultação de doenças graves, reações alérgicas e resistência a antibióticos. Para conscientizar a população e reforçar a ideia de que o paciente deve tomar o remédio certo, na hora correta e com a orientação adequada de um profissional de saúde, celebra-se, em 5 de maio, o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos.
A farmacêutica do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), Patrícia Quirino, explica que, muitas vezes, a prescrição médica é substituída pela indicação de amigos e familiares ou por buscas feitas na internet. “Esse comportamento é perigoso, pois o uso indevido de substâncias pode levar a quadros graves de intoxicação, sendo os anti-inflamatórios e os antibióticos os principais vilões nesses casos, especialmente quando armazenados de forma inadequada em farmacinhas caseiras”, explica a profissional do equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).
E quando o assunto é emagrecimento, a profissional observa que a pressão estética tem substituído a preocupação com a saúde. Hoje, os agonistas GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” são consumidos sem indicação e até mesmo de forma ilegal. “As pessoas têm acesso a esses medicamentos até pelas redes sociais, sem nenhuma segurança para a saúde. É imprescindível contar com uma orientação de profissionais de saúde que possam acompanhar aquele paciente e prescrever a medicação específica de acordo com a análise detalhada de cada caso”, explica a farmacêutica.

Uso indiscriminado de remédios como antibióticos pode causar complicações
Patrícia ressalta que até mesmo um medicamento considerado simples, como um anti-inflamatório, exige cuidados específicos, como a ingestão de alimentos para evitar danos ao estômago. Conhecimento que apenas profissionais da saúde capacitados podem repassar. “A orientação de um farmacêutico ou de outro profissional qualificado é essencial para garantir que o tratamento seja seguro e eficaz, evitando que a busca pela cura ou pela estética resulte em problemas de saúde ainda maiores”, pontua.
Já no caso dos antibióticos, o uso indiscriminado pode gerar resistência antimicrobiana. “É quando os microorganismos que causam doenças se tornam mais resistentes aos medicamentos. Isso é uma grande consequência da automedicação.” Patrícia Quirino destaca ainda que o problema se torna uma questão de saúde pública. “É uma grande ameaça, pois as bactérias evoluem, tornando tratamentos ineficazes para infecções comuns”.
Tomar o antibiótico até o final do tratamento, mesmo que os sintomas desapareçam antes, é fundamental para garantir a cura total da infecção e evitar a resistência bacteriana. “Por isso recomendamos sempre ser orientado por um profissional, em qualquer situação”, conclui.
