Cultura

São João no Ceará gera trabalho e renda para milhares de cearenses e fortalece a economia criativa em todo o estado

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São João no Ceará gera trabalho e renda para milhares de cearenses e fortalece a economia criativa em todo o estado
Texto: Ascom Secult
Foto: Maria Heydèe e Matheus Brandão

Apresentação do grupo Paixão Nordestina durante o 25º Festejo Ceará Junino, em 2025. Crédito:

Neste mês de junho e em julho, o 26º Festejo Ceará Junino percorrerá as 14 macrorregiões do estado em uma programação de 47 dias que inclui 21 festivais regionais e a grande etapa final do campeonato estadual. Considerada uma das mais importantes manifestações da cultura popular cearense, a festa mobiliza milhares de artistas, brincantes e profissionais que atuam nos bastidores para manter viva a tradição junina.

Muito antes de as quadrilhas entrarem em cena e os arraiais receberem o público, uma extensa cadeia produtiva já está em atividade. Costureiras, bordadeiras, cenógrafos, aderecistas, maquiadores, músicos, sonoplastas, iluminadores, coreógrafos e produtores culturais trabalham há meses na preparação dos festivais, movimentando a economia criativa e gerando oportunidades em diversas regiões do Ceará.

Em 2026, essa engrenagem cultural recebeu o maior aporte financeiro da história do Festejo Ceará Junino. Ao todo, o Governo do Ceará, por meio da Secretaria da Cultura (Secult Ceará), investiu R$ 6,8 milhões na realização do ciclo junino. Desse montante, mais de R$ 4,3 milhões são destinados diretamente ao fomento das quadrilhas juninas, fortalecendo grupos, incentivando a geração de trabalho e renda e garantindo a continuidade de tradições que atravessam gerações.

Os bastidores envolvem meses de trabalho e planejamento

Para quem participa dos grupos juninos, o São João é resultado de um trabalho que se desenvolve durante todo o primeiro semestre. A preparação envolve pesquisa temática, criação de figurinos, produção de cenários, ensaios e contratação de diversos serviços especializados.

Cada quadrilha mobiliza dezenas de profissionais e movimenta a economia local. Em muitos casos, trabalhadores encontram no período junino sua principal fonte de renda anual, especialmente artesãos e costureiras que se dedicam à confecção de figurinos e adereços utilizados nas apresentações.

Para Robertinho Saveriano, presidente da quadrilha Ceará Junino, do bairro Álvaro Weyne, em Fortaleza, a cultura junina tem papel importante na geração de emprego e renda. Entre janeiro e maio, costureiras, bordadeiras, artesãos e aderecistas participam da produção de figurinos e cenários. Já durante as apresentações, em junho, a cadeia produtiva se amplia, envolvendo motoristas, equipes de produção e profissionais de som, iluminação e efeitos especiais.

“A quadrilha junina movimenta uma grande rede de trabalhadores e gera renda complementar para muitas famílias. Como nos apresentamos em diferentes municípios, a demanda por serviços é ainda maior, fortalecendo a economia criativa e valorizando os profissionais que ajudam a manter viva essa tradição cultural”, destaca.

Investimento fortalece cadeias produtivas locais

Além de preservar uma importante manifestação do patrimônio cultural cearense, os recursos públicos destinados ao ciclo junino contribuem para a sustentabilidade econômica dos grupos e para a geração de oportunidades em diferentes municípios do estado.

Entre 2023 e 2026, foram registrados importantes avanços no incentivo às quadrilhas juninas, com ampliação de investimentos e aumento do número de projetos apoiados em diferentes categorias. A Quadrilha Junina Adulta teve seu investimento elevado de R$ 22 mil para R$ 30 mil, enquanto a Quadrilha Junina Infantil passou de 14 para 30 projetos apoiados por ano. Na Quadrilha Junina Cultura Camponesa, o investimento cresceu de R$ 18 mil para R$ 28 mil e o número de projetos apoiados subiu de 10 para 15 por ano. Já a Quadrilha Junina Diversidade ou Iniciante teve um reajuste no investimento, que passou de R$ 14.700 para R$ 15.607,50.

Nesta edição, houve ampliação dos valores destinados às quadrilhas adultas, infantis, de culturas camponesas e da diversidade, garantindo mais condições para a realização dos projetos e para a contratação de profissionais envolvidos na produção dos espetáculos.
“Os festivais e apresentações fortalecem as tradições culturais, mas também impulsionam as economias locais, mobilizando comunidades inteiras e criando oportunidades para novos profissionais e novos públicos. Por isso, compreendemos a cultura não apenas como expressão da nossa identidade, mas também como um importante vetor de desenvolvimento econômico e social para o Ceará.”, destaca a secretária de Cultura do Ceará, Gecíola Fonseca.

Para a coordenadora de Patrimônio Cultural e Memória da Secult Ceará, Jéssica Ohara, os festivais têm papel fundamental na dinâmica econômica do setor cultural. “Os Festivais Regionais têm uma função social e econômica no fomento à economia artística, criativa e cultural, considerando o grau elevado de informalidade do setor e dos trabalhadores da cultura. Dessa forma, contribuem para a manutenção da dinâmica da produção e sustentabilidade econômica e social dos grupos e festivais regionais de quadrilha junina do Ceará”, afirma.

Tradição que gera renda

Mais do que uma celebração cultural, o São João cearense representa uma importante engrenagem da economia criativa. Em cada município que recebe as etapas regionais, a realização dos festivais impulsiona a contratação de serviços, movimenta o comércio local, fortalece o turismo cultural e gera renda para centenas de famílias.

Dos ateliês de costura aos palcos dos festivais, o ciclo junino demonstra como a cultura também é vetor de desenvolvimento econômico, transformando tradição em oportunidade e mantendo viva uma das maiores expressões da identidade do povo cearense.

Para Kátia Alves, produtora do 27º Festival Junino do Parque Oeste, realizado no bairro Pirambu, em Fortaleza, o São João é muito mais do que uma festa popular, é um evento que movimenta toda a comunidade. “É um evento que fortalece a história do bairro, promove integração social e impulsiona a economia local. Muitos moradores conseguem complementar a renda durante o período, e até os donos de barracas de praia participam do evento e consideram mais positivo para os negócios do que o Carnaval”, afirma.

Rafael Barbosa, Mestre da Cultura de Quixeramobim e produtor cultural da Maravilha Junino 2026, vê o festival junino como um importante impulsionador da economia criativa local e regional. Em 10 anos, o evento passou de dois ou três ambulantes para mais de 50 vendedores beneficiados diretamente, além de artesãos, grupos juninos e comerciantes.

“Durante os dois dias de programação, a movimentação econômica varia entre R$ 300 mil e R$ 400 mil, abrangendo contratações de equipes, serviços de segurança, sonorização, montagem de estrutura e diversos fornecedores. O crescimento do festival demonstra como cultura, geração de renda e desenvolvimento caminham juntos, fortalecendo oportunidades e impulsionando a economia de Quixeramobim e da região, conclui.

Confira abaixo a programação da 1ª Etapa Regional do 26º Festejo Ceará Junino

Dias 18 e 19 de junho (Quinta e sexta-feira)

[FORTALEZA – ETAPA GRANDE FORTALEZA]
27º FESTIVAL JUNINO DO PARQUE OESTE
“ONDE O MAR GUARDA A HISTÓRIA: PIRAMBU HOMENAGEIA CARLOS CARECA”
Local: Areninha Pirambu – Av. Presidente Castelo Branco, 1980 – Jacarecanga

18 de junho (quinta-feira)

19h – Rosa Junina – infantil (Fortaleza)
20h – Fogo de Paixão – infantil (Fortaleza)
21h – Capodrilha (Fortaleza)
22h – Junina Vira Juízo (Paraipaba)
23h – Zé Moringa (Fortaleza)
00h – Ceará Junino (Fortaleza)

19 de junho (sexta-feira)

19h – Cai Cai Balão – infantil (Fortaleza)
20h – Homenagem com Raízes Sertanejas – grupo da comunidade (Fortaleza)
21h – Filhos da Roça (Aquiraz)
22h – Flor do Caju (Pacajus)
23h – Cangaço Nordestino (Fortaleza)
00h – Encanta Ceará (Fortaleza)
01h – Brilho do Sertão (Fortaleza)

[QUIXERAMOBIM – ETAPA SERTÃO CENTRAL]
MARAVILHA JUNINO 2026
“NO BALANÇO DA REDE, CELEBRAMOS OS SABERES E TRADIÇÕES”
Local: Quadra Poliesportiva da Maravilha – R. Luíz Gomes Coutinho

18 de junho (quinta-feira)

19h30 – Junina Bem Me Quer – infantil (Pedra Branca)
20h30 – Junina Boiadeiros do Sertão, de Mombaça
21h30 – Comadre Raquel, de Quixadá
22h30 – Filhos de Milhã, de Milhã
23h30 – Sol do Meu Sertão, de Quixeramobim
00h30 – Xaxado e Baião, de Milhã
01h30 – Flor de Algodão, de Pedra Branca

19 de junho (sexta-feira)

19h – Apresentação cultural
20h – Cumpade São João (Quixadá)
21h – Cultura Nordestina, (Irapuan Pinheiro)
22h – Raízes Nordestinas, de Quixeramobim
23h – Filhos do Sertão do Custódio, de Quixadá
00h – Junina Império do Sertão, Piquet Carneiro
01h – Arraiá do Milho Verde, de Quixadá

[NOVA RUSSAS]
NOVA RUSSAS: TERREIRO DAS TRADIÇÕES JUNINAS
Local: Arena de Eventos de Nova Russas

18 de junho (quinta-feira)

20h – Arraiá do Generá (Tamboril)
21h – Junina Encanto (Hidrolândia)
22h – Junina Raízes da Terra (Independência)
23h – Junina Beija Flor (Nova Russas)
00h – Junina Roça-Rossa (Hidrolândia)
01h – Paixão Cearense (Ipaporanga)
02h – Paixão Junina (Crateús)
03h – Estrela do Meu Sertão (Santa Quitéria)

19 de junho (sexta-feira)

20h – Raízes do Sertão (Tamboril)
21h – Força Jovem (Tamboril)
22h – Explosão Junina (Nova Russas)
23h – Emoção Junina (Nova Russas)
00h – Junina Alegria do Sertão (Ipueiras)
01h – Filhos da Roça (Crateús)
02h – Junina Brilho do Sertão (Tamboril)
03h – Premiação

Serviço

26º Festejo Ceará Junino – Secult Ceará – Etapas Regionais de 2026 – De 18 de junho a 12 de julho nas cidades: Fortaleza, Quixeramobim, Nova Russas, Itatira, Meruoca, Caucaia, Jaguaruana, Ubajara, Baturité, Quixelô, Juazeiro do Norte, Tauá, General Sampaio, Itarema, Jaguaribana, Aquiraz e Crato. 21ª edição do Campeonato Estadual de Quadrilhas Juninas – De 23 a 26 de julho, em Limoeiro do Norte/ CE. Mais informações: www.ce.gov.br/secult