Saúde

Telemaré leva atendimento médico remoto a pescadores em alto-mar

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Telemaré leva atendimento médico remoto a pescadores em alto-mar
Texto: Jessika Sampaio
Fotos: Jessika Sampaio e Helga Rackel

Ação lançada pela Sesa e pela Prefeitura de Itarema utiliza o aplicativo Acesso Saúde Ceará para conectar embarcações à rede de saúde

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) e a Prefeitura de Itarema, cidade do litoral oeste do estado, lançaram, nesta sexta-feira (26), o Telemaré, ação de telemedicina voltada ao atendimento de pescadores durante o trabalho em alto-mar. A iniciativa funciona pelo aplicativo Acesso Saúde Ceará e permite que trabalhadores embarcados recebam orientação médica mesmo longe da costa.

Na prática, quando um pescador precisar de atendimento durante a viagem, o mestre da embarcação poderá acionar o serviço pelo aplicativo. A solicitação será direcionada ao Hospital Municipal Natércia Júnior Rios, onde um médico plantonista fará a avaliação inicial e indicará os cuidados necessários.

Durante o lançamento, também foi realizada uma demonstração do atendimento, com participação de médico generalista e apoio de especialista em reumatologia. A ideia é que, quando necessário, o atendimento inicial possa contar com suporte da rede de Telessaúde da Sesa.

Para a secretária da Saúde do Ceará, Tânia Mara Coelho, o Telemaré marca um momento inédito para a assistência aos trabalhadores do mar. “É a primeira vez que estamos levando atendimento, ou seja, o SUS, para o alto-mar. O que estamos fazendo é para facilitar a vida dos nossos pescadores e garantir uma saúde de qualidade”, afirmou.

Secretária Tânia Mara Coelho, ao lado de outras autoridades, durante o lançamento

Além do atendimento remoto, as embarcações receberão uma maleta com medicamentos, insumos e equipamentos de monitoramento, como tensiômetro e oxímetro. O material foi organizado a partir das principais situações de saúde que podem ocorrer durante as viagens.

“Não adianta apenas atender. Em algumas situações, é necessário iniciar uma medicação, seja para dor, febre ou ferimentos, por exemplo”, explicou Tânia Mara Coelho.

A médica Melissa Medeiros, assessora de Projetos Estratégicos da Sesa, destaca que o Telemaré faz parte da expansão da saúde digital no Ceará. “Dentro do Acesso Saúde Ceará, que é o nosso aplicativo que já permite à população algumas consultas por telemedicina, estamos lançando o Telemaré, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Itarema e o Governo do Ceará”, disse.

Segundo Melissa, os pescadores ficarão conectados diretamente ao hospital 24 horas. “O médico de plantão poderá ser solicitado para fazer o atendimento. A tecnologia vai conectar o pescador, quando houver necessidade, ao atendimento em terra”, completou.

Ideia nasceu da realidade dos pescadores

Itarema tem forte presença na pesca profissional e é uma referência nacional na cadeia produtiva do atum. Segundo o prefeito Robério Monteiro Filho, a proposta nasceu da necessidade de levar atendimento aos trabalhadores que passam vários dias embarcados.

“A gente tinha essa vontade de levar o atendimento até o alto-mar. Procuramos a Secretaria da Saúde do Estado e fomos prontamente atendidos. A saúde agora vai chegar ao alto-mar, e é um privilégio isso acontecer em Itarema”, destacou o prefeito.

O secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, Mozart Sales (foto), também reconheceu a importância estratégica de Itarema para o Ceará e para o país. Durante o lançamento, ele destacou o papel do município na atividade pesqueira e a relevância de aproximar o cuidado em saúde de uma população que contribui para a economia e para a produção de alimentos. “São coisas que são feitas com muita vontade de dar certo e com compromisso”.

Rotina em alto-mar

Para quem vive da pesca, o atendimento remoto pode trazer mais segurança em viagens que chegam a durar várias semanas. O pescador João Adiodato de Diniz, conhecido na região como comandante Jack Sparrow, 37, trabalha no mar desde os 12 anos. Ele conta que uma viagem pode durar até 50 dias, dependendo da produção.

“A gente trabalha à vontade do peixe. Quando ele está querendo, a gente vem rápido. Quando não está, demora”, relatou.

João explica que os riscos fazem parte da rotina. Entre as situações que podem acontecer, ele cita acidentes com anzol durante a pesca. “A gente trabalha com peixe, e eles têm muita força. Pode acontecer de um anzol escapar e atingir um pescador. Nesses casos, precisa de orientação, porque não pode simplesmente tirar”, disse.

Para ele, o Telemaré chega para ajudar quem antes não tinha esse tipo de suporte durante as viagens. “Para nós, pescadores, vai servir bastante. Nós temos internet e, na mesma hora, podemos ligar e receber atendimento. Antes, a gente não tinha isso”, afirmou.

Com o Telemaré, o cuidado em saúde passa a acompanhar a realidade dos trabalhadores do mar, levando orientação médica e suporte profissional mesmo quando os pescadores estão distantes da costa.