Nem toda paralisia facial é AVC: neurologista do Hospital Regional Norte explica sinais de alerta e quando procurar atendimento

Acordar e perceber que um lado do rosto não está se movimentando normalmente pode causar preocupação e levantar uma dúvida imediata: “será que estou tendo um AVC?” Embora a associação entre paralisia facial e Acidente Vascular Cerebral (AVC) seja comum, especialistas alertam que nem toda alteração nos movimentos do rosto está relacionada ao AVC.
De acordo com o médico neurologista Espártaco Ribeiro, coordenador da Unidade de AVC do Hospital Regional Norte (HRN), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), em Sobral, existem diferentes tipos de paralisia facial e, na maioria dos casos, o problema não está associado ao AVC.
“Existem dois tipos de paralisias faciais: a central e a periférica. A mais comum é a paralisia facial periférica, também conhecida como paralisia de Bell, que geralmente afeta apenas o rosto e não corresponde a um AVC”, explica.
A condição costuma provocar fraqueza em um dos lados da face, comprometendo tanto o fechamento do olho quanto os movimentos da boca. Segundo o especialista, esse tipo de paralisia geralmente está relacionado a infecções virais que se aproveitam de momentos em que o organismo está mais vulnerável.
“Situações como sobrecarga de trabalho, estresse, noites mal dormidas, alimentação inadequada e outros fatores que enfraquecem o sistema imunológico podem favorecer o surgimento dessas infecções e a inflamação do nervo facial“, destaca.

Atendimento ágil e especializado contribui para melhores resultados nos casos de AVC
Quando a paralisia facial pode indicar um AVC?
Embora muitas paralisias faciais sejam benignas, é importante ficar atento aos sinais que podem indicar um AVC. Diferentemente da paralisia facial periférica, o AVC costuma provocar outros sintomas neurológicos associados.
“Quando a fraqueza não afeta apenas o rosto, mas também o braço ou a perna do mesmo lado do corpo, ou ainda quando a pessoa apresenta dificuldade para falar, devemos pensar na possibilidade de um AVC”, alerta Espártaco.
O neurologista reforça que qualquer sintoma que surja de forma repentina deve ser avaliado por um profissional de saúde.
“As paralisias faciais podem acontecer durante a madrugada. A pessoa vai dormir bem e acorda com o rosto paralisado. Como é um sintoma que surgiu de forma súbita, precisa ser avaliado por um médico para confirmar a causa e indicar o tratamento adequado”, afirma.
Nos casos de suspeita de AVC, o tempo é um fator decisivo para reduzir sequelas e aumentar as chances de recuperação. Por isso, a orientação é buscar atendimento imediatamente ao identificar sintomas como dificuldade para falar, perda de força em um lado do corpo ou alteração súbita dos movimentos do rosto.
Em Sobral, o Hospital Regional Norte é referência para atendimento aos pacientes com suspeita de AVC. Ao apresentar sinais sugestivos de AVC, o paciente deve procurar imediatamente a emergência do HRN, onde será avaliado rapidamente e passará pelos exames necessários para confirmar ou descartar o diagnóstico.
Para moradores dos demais municípios da Região Norte do Ceará, a recomendação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), por meio do telefone 192. A equipe fará as orientações e organizará o encaminhamento do paciente para o HRN, quando necessário.
Avaliação médica é fundamental
Apesar de a maioria dos casos de paralisia facial estar relacionada a condições benignas, somente a avaliação médica pode identificar a causa correta do problema.
“As paralisias faciais, na grande maioria das vezes, afetam apenas metade do rosto, comprometendo o olho e a boca, sem causar fraqueza nos braços, nas pernas ou dificuldade para falar. Mesmo assim, é importante procurar atendimento médico, seja na atenção primária, no posto de saúde, seja na UPA próxima à sua casa ou ainda nos hospitais que tiverem disponibilidade de atendimento médico 24 horas, para que o diagnóstico seja confirmado e o tratamento iniciado o mais cedo possível”, reforça Espártaco.
Além disso, hábitos saudáveis podem ajudar a fortalecer o organismo e reduzir fatores associados ao surgimento da paralisia facial periférica. Dormir bem, manter uma alimentação equilibrada, hidratar-se adequadamente e buscar formas de lidar com o estresse são medidas que contribuem para a saúde como um todo.