Treinados para salvar vidas, cães de resgate do CBMCE atuam em cenários extremos

No Dia Internacional do Cão de Busca e Resgate, a SSPDS celebra e homenageia os heróis de quatro patas
Seja oferecendo esperança às famílias ou precisão técnica às equipes de socorro em momentos de desastres ou situações críticas, os cães de busca e resgate possuem habilidades excepcionais que ajudam a salvar vidas. Afinal, o cão atua onde o olho humano e a tecnologia não alcançam, contribuindo na preservação da vida e na redução do tempo de resposta durante tragédias, momento em que todo segundo é importante.
Em homenagem a esses fundamentais companheiros, comemora-se neste domingo, 26 de abril, o Dia Internacional do Cão de Busca e Resgate. Em alusão a esta data, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) preparou um material especial para destacar resgates e ações significativas em que a Companhia de Busca com Cães (CBCães), que faz parte do Batalhão de Busca e Salvamento (BBS) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE), participou.
CBCães
Criada há quase 18 anos, a CBCães é a unidade especializada do CBMCE que atua na busca e resgate de vítimas em ambientes rurais e urbanos. A companhia nasceu da necessidade de uma unidade que utilizasse cães de faro para ocorrências complexas, como a localização de vítimas de desabamentos de estruturas ou deslizamentos de terra. Atualmente, a CBCães é referência nacional na formação, avaliação e atuação dos cães de resgate no país. Além de auxiliar a Polícia Militar do Ceará (PMCE) e a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) em operações diversas.
Além das operações de emergência, a CBCães também presta serviços à sociedade através de terapias assistidas por animais, proporcionando atendimentos na própria unidade por alunos de escolas e faculdades de veterinária e zootecnia. “Utilizamos a docilidade dos cães para auxiliar na recuperação de pacientes em hospitais e instituições. O contato com o animal reduz o cortisol e libera endorfina, ajudando no tratamento de crianças e idosos. O cão de resgate, por ser extremamente sociável, é perfeito para isso. Podemos dizer que para o cão é essencial pois nossos cães gostam de pessoas e isso faz parte do treinamento, nós ajudamos a essas pessoas trazendo um afago, um conforto, uma alegria e eles nos ajudam no treinamento e socialização”, destaca o 1° tenente BM Amaury, subcomandante do CBCães.

Os Cães
Em ocorrências de desastres naturais, os cães são considerados ferramentas fundamentais por sua versatilidade, agilidade e olfato. Diferente das tecnologias, como os drones, que oferecem uma visão aérea, o cão possui uma visão química. Sob escombros, lama ou mata densa, a tecnologia térmica ou de imagem sofre interferências, já o olfato canino consegue filtrar partículas de odor humano entre milhares de outros cheiros, identificando vida mesmo sob metros de escombros.
Isso acontece porque os cães têm entre 200 milhões e 300 milhões de receptores olfativos. O subcomandante do CBCães explica que um “cão varre uma área em minutos que levaria horas para uma tropa a pé. O diferencial da CBCães é que a nossa ferramenta de trabalho é um ser biológico e ele depende de nós o tempo todo, inclusive alguns cães moram com o seu condutor. Hoje atuamos com protocolos nacionais de certificação, garantindo que o cão tenha o mesmo nível de excelência em qualquer estado do Brasil”, explica.

Segundo o capitão Eliomar, comandante do CBCães, a atividade de Busca, Resgate e Salvamento com o Emprego de Cães (BRESC), constitui uma das ferramentas mais eficientes nas operações de localização de pessoas desaparecidas, em áreas de mata, em desastres ou em áreas de difícil acesso. “Os cães têm um super poder, o faro, com capacidade extraordinária de detecção de odores, entre eles os dos humanos. Esses cães de resgate são capazes de reduzir significativamente o tempo de resposta nas ocorrências, aumentando as chances de sobrevivência das vítimas e contribuindo diretamente para o sucesso das missões”, afirma o capitão.
Mas para a excelência dessas ações, é necessário uma formação intensiva que começa logo nos primeiros meses de vida do animal com a socialização. Além disso, os cães escolhidos para trabalhar com resgate precisam ter coragem, curiosidade e, principalmente, precisam ser “fissurados” por sua recompensa.
Os cães de resgate também necessitam ser certificados pelo Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (Conabresc) que faz parte da Liga dos Bombeiros Militares do Brasil (Ligabom), processo que se inicia na formação dos cães e leva, em média, 18 a 24 meses de treino diário até a primeira certificação. Graças às certificações, existe uma padronização dos cães de resgate treinados pelos corpos de bombeiros militares do Brasil.
No CBCães, o treinamento utilizado é o reforço positivo, onde o cão associa que encontrar o odor humano é a única forma de ganhar seu brinquedo favorito. “O latido é uma indicação ativa pois é a ‘comunicação’ que ele aprende para dizer ao condutor: “Encontrei, quero meu brinquedo!”. É um condicionamento onde ele entende que o latido atrai a recompensa”, reforça o tenente Amaury.

Outra peça fundamental para o treinamento é a relação entre o bombeiro militar, cachoreiro e seu o cão, essas duplas são chamadas de “binômios”. Uma relação de confiança absoluta, construída no dia a dia, onde o condutor precisa ler os mínimos sinais corporais do cão, como o movimento de cauda ou cabeça. Muitas vezes o cão vive na casa do condutor, o que ajuda a criar um vínculo que vai além do serviço.
Atualmente, o CBCães conta com 14 cachorros, sendo nove cães certificados e cinco em treinamento para receber a certificação.
Enchentes no Rio Grande do Sul
Cumprindo sua missão, conforme o lema “Vidas Alheias e Riquezas Salvar”, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE) enviou, em 2024, durante as fortes chuvas enfrentadas pela população do Rio Grande do Sul, uma equipe de 12 bombeiros militares, dois cães, três viaturas de salvamento, dois botes e uma série de equipamentos necessários para os trabalhos de busca e resgate.

O tenente Amaury relata que cenários como esse, com chuva, lama e alagamento são bem mais desgastantes. “O odor fica ‘preso’ ou se desloca com a água. Exige cães com muita força física para nadar e caminhar e até mesmo em embarcações, ou seja precisa de cães experientes, durante as provas de certificação existe uma etapa em que o cão tem que localizar um artigo de odor submerso, devemos também atentar para a higienização rigorosa para evitar doenças como a leptospirose tanto no animal quanto no condutor, descontaminação de metais pesados como a ocorrência de brumadinho”, narra.
Crianças desaparecidas no Maranhão
Já em 14 de janeiro deste ano, o CBMCE enviou, uma equipe de cinco bombeiros militares do Ceará, além de quatro cães treinados que possuem Certificação Nacional Ligabom e drones com câmeras térmicas para auxiliar nas buscas de duas crianças que desapareceram no último dia 4 de janeiro, na cidade de Bacabal, no Maranhão.

O tenente explica que em buscas de crianças a estratégia é diferente.“Porque elas costumam se esconder ou não responder a chamados por medo. O cão é vital porque ele não depende da resposta da criança, apenas do cheiro. O preparo envolve treinar o cão para localizar alvos menores e em deslocamento constante. Nessa ocorrência enviamos quatro cães, dois de varredura e dois de odor específico. Infelizmente tivemos a perda da cadela Iara de odor específico, mas a cadela Dora conseguiu trilhar exatamente o percurso que as crianças fizeram até o Último Local Visto (ULV)”, finaliza.