Educação

População Indígena de Crateús ganha nova escola Kariri Tabajara

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População Indígena de Crateús ganha nova escola Kariri Tabajara
Texto: Isabella Campos - Ascom Casa Civil
Fotos: Thiago Gaspar - Casa Civil

Também foram entregues 980 tablets a estudantes da rede estadual de ensino médio no município

Reforçando o compromisso com os povos originários do estado, o Governo do Ceará inaugurou, neste sábado (20), a Escola Indígena Kariri Tabajara, no município de Crateús. Na ocasião, também foram entregues 980 tablets a estudantes da 2ª série do Ensino Médio da rede estadual. O evento contou com a presença do governador Elmano de Freitas, da secretária da Educação, Jucineide Fernandes, da prefeita de Crateús, Janaína Farias, além de outras autoridades.

O governador Elmano de Freitas enfatizou a alegria de entregar a escola à população indígena do município e dedicou o momento aos troncos velhos, integrantes mais antigos das comunidades indígenas.

“Fico emocionado ao ver um equipamento como este. Estive aqui durante o período de construção e isso torna este momento ainda mais especial”, pontuou Elmano. “Temos que começar dedicando este momento aos troncos velhos. Hoje estamos nesta escola, mas, para chegarmos até aqui, foi necessária muita sabedoria: primeiro, para resistir e não serem dizimados; segundo, para superar aqueles que diziam que este Estado não tinha povos indígenas. E foram esses troncos velhos que tiveram a sabedoria de manter seus povos e guiá-los até os dias de hoje”, complementou.

Entre os estudantes indígenas beneficiados com a ação está Stefani Kariri. Aluna da escola indígena desde os dois anos de idade, a jovem da Aldeia Maratoan ressaltou a importância da iniciativa para a preservação da cultura dos povos originários.

“Isso representa um importante avanço para as futuras gerações. Mais do que uma obra, esta escola representa a luta e a resistência do nosso território”, pontuou. “É com escolas diferenciadas como esta que reafirmamos, enquanto comunidade, o compromisso com a valorização da identidade indígena”, completou.

O investimento para a construção da nova sede da escola indígena foi de R$ 11,8 milhões. O equipamento tem como principal objetivo oferecer uma educação diferenciada, voltada à preservação da herança cultural dos povos indígenas da região.

Ao lembrar que é filha de pescador, que o governador é filho de agricultor e que a prefeita de Crateús é filha de uma costureira, a secretária da Educação, Jucineide Fernandes, ressaltou que a inauguração da escola indígena é uma das ações que contribuem para tornar o Ceará um estado em que todos têm oportunidades.

“Estamos construindo um Estado em que o povo do Ceará ocupa os espaços de decisão e tem oportunidades”, afirmou. “O que nos traz aqui hoje são duas importantes entregas. Este é o novo prédio da escola indígena, motivo de orgulho para todos nós da educação. Trata-se de um equipamento com a qualidade que nossos estudantes e professores merecem. Preservem e cuidem deste prédio, que é lindo”, completou.

O secretário executivo dos Povos Indígenas, Jorge Tabajara, classificou o momento como “histórico”. “Este é um dia histórico para os povos indígenas do Ceará, especialmente para os dos Sertões de Crateús. Hoje, estamos fortalecendo nossa educação e nossas tradições”, afirmou.

O equipamento contará com seis salas de aula, quatro laboratórios de ciências, biblioteca, sala multimídia, sala do grêmio estudantil, sala dos professores, cozinha, pátio coberto, quadra poliesportiva coberta, sala de ritual Toré e vestiários masculino e feminino.

A prefeita Janaína Farias também comemorou o momento. “Quero cumprimentar todos aqueles que lutaram pela construção desta escola. Também quero agradecer a parceria com o Governo do Ceará, que tornou este momento possível. Viva a educação pública do Ceará, a melhor do Brasil”, comemorou.

Saberes indígenas

Com capacidade para atender até 400 alunos, a Escola Indígena Kariri Tabajara oferta Educação Infantil e Ensino Fundamental à comunidade. Diretor da unidade, Lucas Kariri ressaltou que esse foi um dia de celebração e de reconhecimento por uma ação que fará a diferença na vida dos povos indígenas da região.

“Este dia é sinônimo de alegria e temos muito a agradecer, pois estamos presenciando uma ação que fará a diferença. Este é um presente para toda a comunidade. É assim, com educação, esporte, lazer e cultura, que o Estado deve estar presente nos territórios”, afirmou. “A nossa educação é diferenciada, mas também é de qualidade. Nós cuidamos da terra e da nossa mãe natureza”, enfatizou.

A unidade também se destaca pelo desenvolvimento de projetos pedagógicos voltados à valorização da cultura e dos saberes indígenas. Entre as iniciativas estão a Oca dos Saberes, o Laboratório da Língua Dzubukuá e o projeto Saberes Indígenas na Escola, desenvolvido em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).

A escola também oferece o programa Ciências na Escola, que fortalece o diálogo entre os conhecimentos ancestrais e científicos, além de contar com a Escola de Audiovisual Vicente Kariri.

Outros destaques são a Feira de Saberes e Sabores, que reforça as matrizes culturais, históricas e pedagógicas dos povos originários, e o Memorial dos Povos Indígenas Vicente Kariri, espaço que valoriza o ensino interdisciplinar e a preservação do patrimônio cultural no território.

A rede estadual de Educação Escolar Indígena do Ceará conta com 44 escolas indígenas, distribuídas em 16 municípios, atendendo cerca de 8,7 mil estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio e à Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Entrega de tablets

A inauguração também contou com a entrega de 980 tablets para estudantes da 2ª série do ensino médio da rede estadual de ensino de Crateús, um investimento de R$ 441 mil.

A entrega dos tablets integra a política pública de educação conectada, que busca fortalecer a inclusão digital e ampliar as possibilidades pedagógicas, garantindo acesso a ferramentas que enriquecem o processo de aprendizagem.