Combate à fome

Ceará Sem Fome reúne gestores públicos e pesquisadores para fortalecer políticas de enfrentamento à insegurança alimentar

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Ceará Sem Fome reúne gestores públicos e pesquisadores para fortalecer políticas de enfrentamento à insegurança alimentar
Texto: Larissa Falcão - Ascom Casa Civil
Fotos: Claudio Rocha

Seminário marca o encerramento do Festival Ceará Sem Fome, que celebrou os três anos do programa estadual referência no combate à fome

O Governo do Estado realizou, na manhã desta terça-feira (30), a abertura do Seminário Ceará Sem Fome, no Centro de Eventos, em Fortaleza. Com o tema “Soberania Alimentar e Sustentabilidade das Políticas de Combate à Fome”, o evento contou com três painéis temáticos, reunindo gestores públicos, especialistas, acadêmicos e entidades da sociedade civil.

O Seminário encerra a programação do Festival Ceará Sem Fome 2026, que mobilizou milhares de pessoas em 36 festivais regionais, evidenciando o protagonismo, o empreendedorismo e a criatividade dos agentes e beneficiários do programa.

Para a primeira-dama do Estado e presidente do Comitê Intersetorial de Governança do CSF, Lia de Freitas, o diálogo e as trocas de experiências ampliam as soluções para garantir alimentação saudável e oportunidades às famílias que mais precisam. “Nosso propósito sempre foi dizer às pessoas que estão periferia que elas têm direito à alimentação saudável e adequada, através do Bolsa Família, do Programa de Aquisição de Alimentos e de Leite, do Mais Nutrição, da cozinha e cartão Ceará Sem Fome, da transparência do Mais Infância, dos restaurantes universitários, de todas as políticas de segurança alimentar que existem no Ceará e no Brasil”, destacou Lia de Freitas.

Em 2026, o Ceará Sem Fome completa três anos com cerca de 80 milhões de refeições distribuídas e 35 mil pessoas qualificadas em todo o estado. Atualmente, o programa conta com 1.300 cozinhas em 184 municípios, preparando 130 mil refeições diárias. Além das refeições, o Cartão Ceará Sem Fome beneficia cerca de 45 mil famílias.

O engajamento do Ceará no enfrentamento à insegurança alimentar foi ressaltado pela diretora de Combate à Fome e a Pobreza do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Valéria Burity. “Os temas discutidos [no Seminário] são fundamentais para organizar e direcionar as políticas públicas, que devem ser baseadas em evidências. Saímos do mapa da fome em dois anos porque priorizamos garantir a alimentação como um direito e, a partir daí, propor uma política econômica voltada para o desenvolvimento social, mas também políticas sociais para garantir proteção, renda e comida saudável. O Ceará é um exemplo desse avanço, mas ainda temos desafios”, afirmou Burity.

O diretor-geral do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece), Alfredo Pessoa, reforçou a importância da colaboração entre pesquisadores e a integração das políticas públicas são fundamentais para atender com eficiência às demandas do cidadão. “Não basta só eliminar a fome no Ceará, é preciso oferecer alimentação saudável. Políticas públicas como o Bolsa Família e o Ceará Sem Fome estão transformando essa realidade”, pontuou.

Fortalecendo a colaboração e integração

Logo após a abertura, foi iniciado o primeiro dos três painéis do seminário, que debateu indicadores e pesquisas, com a participação de cinco painelistas e mediação do diretor de Estudos Sociais do Ipece, José Meneleu Neto.

Painelista e analista do Ipece, Jimmy Oliveira, apresentou um histórico sobre a elaboração do Ceará Sem Fome, explicando a definição dos critérios para definir o perfil de beneficiários das cozinhas e do cartão.

Além do uso de dados e estudos para o desenho do programa, monitoramento e avaliação também são pilares no desenvolvimento dessa política pública exitosa.

“Uma pesquisa realizada pela CGE, em parceria com Ipece e outras instituições, mostrou que 100% dos beneficiários do cartão Ceará Sem Fome estavam satisfeitos, e cerca de 97% dos beneficiários das cozinhas estavam satisfeitos com o programa. Não fazer um programa em que as famílias não se sintam satisfeitas”, avaliou.

Ainda segundo Jimmy, o Ceará registrou, em 2024, o menor valor de insegurança alimentar grave dos últimos 20 anos. Um estudo do Ipece mostra que, entre 2023 e 2024, a proporção de domicílios cearenses nessa situação caiu de 6,3% para 4,5%. Esse patamar é inferior, inclusive, ao observado em 2013 (5,1%), quando o Brasil saiu, pela primeira vez, do Mapa da Fome, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

Alexandre Arbex Valadares, painelista e diretor de Programa do MDS, participou virtualmente e detalhou a criação de um indicador de risco de insegurança alimentar derivado da base do Cadastro Único (CadÚnico).

A iniciativa foi adaptada pelo Ipece para buscar compreender o impacto do cartão Ceará Sem Fome no risco de seus beneficiários estarem em insegurança alimentar e nutricional grave. O analista do Ipece, João Victor Batista, compartilhou os resultados durante o painel. “O programa [Ceará Sem Fome] consegue identificar corretamente os cidadãos que mais precisam, ou seja, tem uma boa focalização. Isso decorre do fato de capturar que 70% dos beneficiários ainda precisam sair da situação da fome mesmo recebendo Bolsa Família” explicou.

A professora Cláudia Vasconcelos trouxe para o painel a contribuição da pesquisa qualitativa sobre os bancos de alimentos, com foco no Mais Nutrição, programa desenvolvido pela Secretaria da Proteção Social do Ceará. Cláudia é docente do curso de Nutrição e do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Saúde da Universidade Estadual do Ceará (Uece). “É muito importante valorizar a experiência subjetiva das pessoas que acessam os programas. Os números são muito importantes, mas a gente também defende essa complementaridade [qualitativo-quantitativa]”, defendeu.

O primeiro painel foi finalizado com a apresentação da professora do curso de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Iara Gomes, que refletiu sobre a importância de unir indicadores e pesquisas à vivência nos territórios. “A fome acompanha as desigualdades históricas, sociais, econômicas e espaciais. Nos territórios existem também capacidades extraordinárias, como os agricultores familiares, as cozinhas solidárias, as hortas comunitárias”, concluiu Iara.