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Embrapa participa da IV conferência da Aliança Africana de Cajucultura

Embrapa participa da IV conferência da Aliança Africana de Cajucultura

Da Agência Funcap

Por Giselle Soares

Demonstrar várias das possibilidades de uso do pedúnculo do caju (a parte amarelada ou vermelha, de onde se extrai o suco) a outros países. Esse foi o principal objetivo da expedição da Embrapa Agroindústria Tropical ao continente africano. Representantes da empresa participaram da IV Conferência Anual da Aliança Africana de Cajucultura, entre os dias 1 e 3 de setembro, em Abidjan, capital da Costa do Marfim.

Segundo o chefe-geral da Embrapa Agroindústria Tropical, Vitor Hugo de Oliveira, a expedição tinha como finalidades, além da participação na conferência, que contou com representantes de produtores de caju de cerca de 20 países, a apresentação dos vários usos do pedúnculo do caju, e a tentativa de firmar parcerias no sentido de estabelecer um intercâmbio de tecnologias entre o Brasil e outros países produtores.

De acordo com ele, o Brasil é praticamente o único país do mundo que tem bom aproveitamento industrial a partir do pedúnculo do caju. “Nós produzimos, por exemplo, cajuína, sucos, vinho de caju, hambúrgueres e barras de caju, que são semelhantes a barrinhas de cereal, mas possuem maior teor nutritivo e de vitamina C. Os outros países não conseguem tantos produtos”, afirma.

Atualmente, pesquisadores da Embrapa Agroindústria Tropical estão trabalhando em parceria com a Universidade de Montpellier, na França, na obtenção de corante a partir de bagaço do pedúnculo. “Essa tecnologia tem grande potencial de agregação de valor ao caju. Os corantes artificiais estão cada vez mais condenados no mundo. Na França, por exemplo, a partir de 2010 o uso desses produtos será bastante restrito. Corantes naturais são difíceis de serem encontrados. No mundo, eu poderia citar 3 ou 4 que são obtidos a partir de espécies vegetais. Além disso, o corante amarelo é muito raro e possui várias aplicabilidades na indústria alimentícia, como a produção de sucos, refrigerantes e massas”, destaca Vitor. Esse produto deve ser finalizado em um ano.

Além da Costa do Marfim, a expedição visitou a Embrapa África, em Gana. O objetivo da viagem era discutir possíveis parcerias com órgãos do país, como o Ministério da Agricultura. Os representantes brasileiros estiveram no Instituto de Pesquisa do Cacau que, apesar do nome, também trabalha com outros produtos, inclusive o caju. A intenção era promover uma espécie de intercâmbio de tecnologias entre os dois países.