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Paciente com Parkinson relata desafios e HGF destaca importância do diagnóstico precoce

#Diagnóstico#Doença de Parkinson#Neurologia
Paciente com Parkinson relata desafios e HGF destaca importância do diagnóstico precoce

Quando os primeiros tremores começaram, Francisco Benevaldo Carneiro, de 56 anos, natural de Madalena, confundiu com ansiedade ou cansaço. “Era só no dedão, depois foi subindo pra perna e passou pro corpo todo”, conta. Foi em 2019 que Benevaldo recebeu o diagnóstico de Doença de Parkinson. O desenhista técnico e servidor público municipal viu, então, sua rotina mudar. “Passei a demorar mais para fazer tudo. O desenho que eu fazia em um dia, agora levo três. O mouse foge da mão. A cabeça até pensa, mas o corpo não acompanha. É como se tudo ficasse mais lento”, conta. 

Foi  difícil se afastar do trabalho, sua paixão e sua principal fonte de renda. “No dia em que recebi o diagnóstico, o que mais me doeu foi pensar que talvez não pudesse mais fazer o que mais amo: trabalhar com desenho. Aquilo mexeu comigo”, afirma.

Mas Benevaldo não enfrenta essa luta sozinho. Ao lado dele, sempre esteve a esposa, Welmita de Souza Rodrigues, 46. Parceira de vida, virou a responsável pelas marcações de exames, papéis e remédios. “Ela corre atrás de tudo. E, mesmo assim, me incentiva a ter minha autonomia nas coisas do dia a dia. Esse apoio da família fortalece a gente”, agradeceu.

O casal conseguiu um encaminhamento para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), referência no cuidado a distúrbios do movimento. E as melhorias vieram. “Hoje ele está mais ativo, mais disposto. Já voltou a fazer algumas tarefas com mais autonomia e mais dignidade. Antes, nem levantar o braço para pentear o cabelo, ele podia. Ver essa evolução nos traz esperança”, diz a esposa. 

A Doença de Parkinson é um distúrbio neurológico crônico e progressivo que afeta os movimentos e outras funções do corpo. Embora ainda não exista cura, o tratamento adequado pode controlar os sintomas e garantir qualidade de vida a pacientes como Benevaldo. “Quase não dá pra perceber que eu tenho Parkinson, mas tem dias que simplesmente não estou bem. É vencendo um dia de cada vez”, diz. 

A Doença de Parkinson e o diagnóstico precoce 

Para a chefe do Serviço de Neurologia do HGF, Fernanda Maia, a história de Benevaldo representa muitas outras que começam com pequenos sinais ignorados. “O tremor é o sintoma mais conhecido, mas o primeiro sinal costuma ser a lentidão nos movimentos. Escovar os dentes, se vestir, enfim tudo começa a levar mais tempo . E isso, às vezes, passa desapercebido”, conta. 

Ela destaca que falar sobre o Parkinson é fundamental não só nas datas reservadas ao tema, mas em todos os dias do ano.  “É importante conscientizar porque não se trata de uma doença rara, é uma condição comum. Estima-se que, a cada 100 mil pessoas, entre 150 e 200 tenham Parkinson. Em uma cidade como Fortaleza, isso corresponde a cerca de 5 mil pacientes”, explica a especialista.

A doença costuma surgir após os 50 anos, mas também pode afetar pessoas mais jovens, em especial por fatores genéticos. “Mesmo sem cura, sabemos que medidas comportamentais, quando adotadas cedo, ajudam o paciente a manter sua independência por mais tempo.”

Atendimento especializado no HGF

O HGF oferece atendimento especializado por meio do Ambulatório de Distúrbios do Movimento, voltado especialmente para os casos mais complexos.

“Esse ambulatório funciona às quintas-feiras pela manhã e atende pacientes com formas difíceis da doença, que precisam de múltiplas medicações ou quando há dúvida diagnóstica entre Parkinson e parkinsonismos”, explica a médica. “Nossa missão é oferecer suporte especializado, cuidando com excelência desses casos de alta complexidade”, reforça.

Além do tratamento medicamentoso, o hospital investe em uma abordagem ampla. “Nosso foco vai além da medicação. Orientamos sobre sono, alimentação, incentivo à prática de atividade física. Contamos com fisioterapeuta, psicólogo, enfermeira e encaminhamos o paciente, se necessário, para serviços de fonoaudiologia ou terapia ocupacional na rede SUS’, explica.

A equipe também atua no suporte à saúde mental. “O Parkinson pode causar depressão, ansiedade, alucinações e demência. Temos apoio de neuropsicóloga para cuidar desses aspectos, pois sabemos que o impacto da doença vai além dos sintomas motores”, completa.