Peritos da Pefoce realizam curso do FBI para atuar em ocorrências com explosivos


Dois peritos da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) realizaram um curso com agentes do Federal Bureau of Investigation (FBI) – órgão de investigação federal dos Estados Unidos da América (E.U.A.) – para atuar em ocorrências envolvendo uso de explosivos e bombas de diferentes tipos. O curso “Investigação Pós-Explosão” foi um treinamento promovido pela embaixada americana e a Polícia Federal (PF). Com cronograma intensivo contemplando aulas teóricas e práticas, os participantes foram preparados para diferentes tipos de ocorrências envolvendo diferentes tipos de explosões e suas proporções. O curso foi realizado na Academia Nacional de Polícia, em Brasília, no Distrito Federal (DF), com cinco dias de duração e teve a sua última etapa na sexta-feira (5).
Os dois servidores da Pefoce que passaram pela formação foram: a perita criminal Manuela Candido, responsável pela Coordenadoria de Análises Laboratoriais Forenses (Calf), e o perito criminal Lauro Ferreira, do Núcleo de Perícia em Engenharia Legal e Meio Ambiente (NPELM) da Coordenadoria de Perícia Criminal (Copec) da Pefoce. Ambos lidam com perícias que envolvem materiais químicos, inflamáveis, bombas e incêndios. Com o treinamento, as duas coordenadorias e seus laboratórios poderão atuar de modo sincronizado quando se depararem com ocorrências desta natureza.

Conforme a coordenadora da Calf, a formação foi indispensável para o perito especialista em ocorrências com bombas e explosivos e será muito útil no atendimento de ocorrências dessa natureza no Ceará. “O curso contemplou a parte de procedimentos operacionais em local de crimes dessa natureza e prezou pela aplicação desses conhecimentos com a execução de exercícios dinâmicos práticos”, ressaltou.

Nas perícias do NPELM, núcleo ligado à atuação de engenharias, o curso traz um melhor preparo para os peritos que além das perícias de crimes ambientais, ruptura de estruturas, falhas mecânicas, entre outros, também realiza a análise de sistemas eletrônicos e incêndios. Para atuar com melhor precisão e desenvoltura dos resultados, os peritos do NPELM utilizam equipamentos, técnicas e cálculos que constatem como se deu determinado ‘sinistro’, por exemplo. Um destes equipamentos é o drone que faz imagens aéreas e mostra aos peritos percepções que não são possíveis através da perspectiva das imagens capturadas ao solo. Em caso de uma explosão, os engenheiros com suas técnicas, cálculos e equipamentos darão uma importante contribuição neste tipo de perícia.
Curso

O conteúdo aplicado no curso foi dividido em módulos, começando de maneira mais ampla e geral sobre os tipos de componentes dos explosivos. Depois, em outra etapa, os peritos puderam acompanhar uma série de explosões e coletar vestígios. Outro módulo bem específico para a área pericial foi o “Processamento de cena de crime após explosão”, que tratou da preservação do vestígio, coleta e cuidados para a não-contaminação do vestígio. Ao final do curso, os participantes simularam um caso e apresentaram os resultados do trabalho com croqui, análise das evidências e conclusão do caso fictício.
O curso foi ministrado por quatro agentes especiais do grupo de bombas e explosivos do FBI da Vigínia, Arizona e Flórida, nos Estados Unidos da América. Kevin D. Finnertry, coordenador do curso, possui 22 anos de experiência na função e já trabalhou em vários atentados terroristas. Atuou no Afeganistão, Iraque, países da África e outras regiões com incidência de conflitos.