Sesa sedia oficina inédita no país sobre comunicação de risco e engajamento comunitário

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) recebeu, nesta quinta-feira (11), a Oficina de Comunicação de Risco e Engajamento Comunitário. Realizado pelo Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Emergências em Saúde Pública da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, o evento teve parceria com a pasta estadual. Segundo o MS, esta é a primeira oficina do país voltada especificamente a profissionais de comunicação.

Atividade realizada pelo Ministério da Saúde no Ceará foi a primeira do País voltada especificamente a comunicadores
A atividade ocorreu na Sesa, em Fortaleza, e reuniu comunicadores, gestores e profissionais de saúde em torno de um tema que tem ganhado espaço nas respostas a emergências em saúde pública: como informar a população com clareza, responsabilidade e rapidez em situações como surtos, epidemias, desastres, crises sanitárias e circulação de desinformação.

Oficina abordou o papel da comunicação pública na preparação e resposta a emergências em saúde pública
Para o diretor do Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde, Edenilo Barreira Filho, a comunicação de risco é parte da resposta em saúde pública e precisa ir além da comunicação institucional tradicional.
“Saber se comunicar é fundamental em momentos de crise, porque uma comunicação mal feita pode gerar pânico e preocupação, além do risco real”, avaliou.
Na análise de Edenilo, a comunicação de risco também aproxima a população da gestão das emergências em saúde pública. Em situações como essas, há circulação de notícias falsas ou mudanças temporárias na oferta de algum serviço. Nesse contexto, a forma como a informação chega às pessoas pode influenciar diretamente a compreensão sobre o risco e as medidas de proteção necessárias.
“É preciso saber comunicar por que determinadas situações acontecem. Muitas vezes, uma medida que gera dúvida na população é resultado de uma vigilância ativa e de uma atuação correta do sistema de saúde. Se isso não for explicado com clareza, abre-se espaço para medo, pânico e desinformação”, pontuou.

Profissionais discutiram estratégias para informar a população em situações como surtos, epidemias, desastres e circulação de desinformação
De acordo com o coordenador da equipe de Comunicação de Risco e Engajamento Comunitário do Departamento de Emergências em Saúde Pública do Ministério da Saúde, Felipe Soares de Moraes, o Ceará foi escolhido para sediar a primeira oficina específica para comunicadores.
“Essa é a primeira oficina que a gente está fazendo com comunicadores. As outras oficinas que fizemos no ano passado foram internas, para as equipes do Ministério da Saúde, e também em três estados, dentro dos simulados de emergência. Uma oficina específica para comunicação de risco, para profissionais de comunicação, é a primeira vez que estamos fazendo aqui no Estado do Ceará”, detalhou.
A partir da experiência realizada no Ceará, as oficinas devem ser expandidas para todo o país ao longo do ano.
Felipe também apresentou os três eixos de atuação do Ministério da Saúde na área: vigilância, preparação e resposta. “Na vigilância, as equipes acompanham dados epidemiológicos e avaliam riscos de surtos ou emergências. Na preparação, estados, municípios e o próprio Ministério são capacitados para situações futuras. Já na resposta, as equipes atuam em campo, junto aos territórios que enfrentam emergências em saúde pública”, completou.
Comunicação, vigilância e resposta às emergências

Atividade incluiu discussões sobre percepção de risco e tomada de decisão pela população
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica da Sesa, Ana Maria Cabral, ressaltou que a comunicação de risco faz parte da rotina de resposta da Secretaria a situações de importância em saúde pública. Segundo ela, o trabalho integrado entre vigilância e comunicação é necessário para orientar a população em contextos de desinformação e circulação de notícias falsas.
“Sempre que recebemos uma situação de importância em saúde pública, discutimos junto com a Assessoria de Comunicação (Ascom) a melhor forma de levar esse conhecimento à população. Precisamos de estratégias qualificadas e de profissionais de comunicação atuando junto com a vigilância epidemiológica”, afirmou.

Profissionais discutiram caminhos para aproximar mensagens técnicas da realidade dos territórios
Helga Rackel Sousa Santos, coordenadora da Ascom da Sesa, relembra que a comunicação de risco não se limita ao trabalho da assessoria de imprensa. É preciso estar alinhado também com profissionais de saúde, gestores e equipes que atuam diretamente com a população.
“Por mais que tratemos sobre comunicação de risco, esse tipo de conduta não está associado apenas ao papel do assessor de comunicação. Está especialmente na rotina dos profissionais de saúde, porque cada um de nós é um comunicador do SUS”, disse.
A coordenadora avaliou ainda que, em uma secretaria com grande capilaridade de serviços, unidades, programas e equipes, a informação precisa chegar à população de forma compreensível, acessível e útil para orientar decisões em situações de risco.
Durante as atividades, os participantes discutiram fundamentos da comunicação de risco, psicologia da crise, engajamento comunitário, percepção de risco, segmentação de públicos e enfrentamento à desinformação. As atividades tiveram caráter teórico-prático, com exposições dialogadas, troca de experiências e exercícios em grupo voltados ao planejamento de ações aplicáveis aos contextos locais de preparação e resposta a emergências em saúde pública.
As oficinas serão expandidas para todo o país ao longo do ano.