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Analisado pelo Lacen/CE, Teste do Pezinho ajuda a transformar o futuro de milhares de crianças cearenses

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Analisado pelo Lacen/CE, Teste do Pezinho ajuda a transformar o futuro de milhares de crianças cearenses
Texto: Wescley Jorge (Ascom Lacen)
Fotos: Thiago Freitas

Por trás de cada exame processado existe uma história que pode ser transformada pelo diagnóstico precoce de doenças examinadas por meio do Teste do Pezinho. Somente entre janeiro e maio deste ano, o Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará (Lacen/CE), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), processou 214.962 testes, beneficiando 35.827 recém-nascidos em todo o estado. Em 2025, foram mais de meio milhão de testes realizados, num total de 533.004, sendo 88.834 crianças testadas. 

“A minha satisfação é saber que aquela mãe tem a possibilidade de ter um filho com uma qualidade de vida melhor.” É assim que a auxiliar administrativa Liliane Furtado define seu trabalho no setor de Triagem Neonatal, mais conhecido como Teste do Pezinho, realizado pelo Lacen/CE.

 A auxiliar administrativa Liliane Furtado acompanha os testes realizados e monitora os fluxos com os profissionais em todo Ceará

 A auxiliar administrativa Liliane Furtado acompanha os testes realizados e monitora os fluxos com os profissionais em todo Ceará

Ela entende a importância do acesso ao exame e ao resultado, para que o encaminhamento seja realizado, quando for necessário. Daí a formação de uma rede de profissionais para agilizar as ações. “Temos processos e fluxos para acompanhar o teste, desde a coleta até os resultados, inclusive na busca ativa pelos pais, quando é preciso. São profissionais em todo o estado”, destaca.

Após a coleta das gotas de sangue retiradas do calcanhar do bebê, preferencialmente entre o terceiro e o quinto dia após o nascimento, as amostras são encaminhadas para análise ao Lacen/CE, responsável pelo Programa Nacional de Triagem Neonatal pelo Sistema Único de Saúde (SUS), no Ceará. O processo começa com a conferência das informações da criança e da unidade de saúde no sistema. Em seguida, cada amostra recebe uma identificação numérica, individual e única, para garantir o controle interno e a rastreabilidade durante todas as etapas do exame.

A conferência de todos os dados é essencial para a segurança do processo de análise

A parte da cartela que contém o sangue segue para a etapa de preparação das amostras, enquanto os dados são inseridos no sistema informatizado. Depois, as amostras são colocadas em equipamentos especializados, responsáveis por realizar as análises laboratoriais. É nesse momento que podem ser identificadas alterações relacionadas a doenças genéticas, metabólicas, hormonais e sanguíneas.

Quando alguma alteração é detectada, os exames passam por novas verificações para confirmação do resultado. Em algumas situações, uma nova coleta pode ser solicitada. Caso seja confirmada alguma alteração, a unidade responsável pela coleta e a família são comunicadas imediatamente para que a criança seja encaminhada para confirmação diagnóstica e acompanhamento e tratamento adequados.

Para a realização do teste, vários equipamentos são utilizados. A padronização dos procedimentos garante a confiabilidade dos resultados

“A qualidade dos resultados na Triagem Neonatal depende do cumprimento rigoroso das etapas do processo. A padronização desses procedimentos garante a confiabilidade das análises, além de reduzir a possibilidade de erros e permitir a triagem precoce de doenças. A integração entre os diferentes setores e profissionais envolvidos favorece a condução eficiente de todo o processo e possibilita também uma comunicação ágil para o acionamento das equipes responsáveis”, reforça a farmacêutica do Lacen/CE, Alerrandra dos Santos Nunes.

Atualmente, o painel de exames realizado no Ceará inclui a investigação de doenças como anemia falciforme e outras hemoglobinopatias, hipotireoidismo congênito, fibrose cística, deficiência de biotinidase, fenilcetonúria e hiperplasia adrenal congênita. Quando diagnosticadas precocemente, essas condições podem ser acompanhadas e tratadas antes do surgimento de sequelas graves ou irreversíveis.

Ampliação da triagem neonatal

A parte da cartela que contém o sangue segue para a etapa de preparação das amostras, enquanto os dados são inseridos no sistema informatizado

O Lacen/CE concluiu a primeira etapa de ampliação do Teste do Pezinho, que inclui a realização do exame para toxoplasmose congênita, e iniciou, no fim de maio de 2026, a segunda fase da implementação prevista pela Lei Federal nº 14.154/2021, que amplia gradualmente o número de doenças investigadas pelo exame em todo o país, incluindo a pesquisa para galactosemia, uma doença genética rara que afeta a capacidade do organismo de metabolizar a galactose, açúcar presente no leite e em seus derivados.

A diretora de Biologia Médica, Karene Cavalcante, enfatiza o compromisso do Laboratório na ampliação das doenças investigadas pela triagem. O Lacen/CE concluiu a primeira etapa com a incorporação do exame da pesquisa para toxoplasmose congênita. Também foi incorporada a triagem para galactosemia, uma das doenças genéticas que são pesquisadas na segunda etapa”, aponta.

As amostras de todo o Ceará, da rede pública, são encaminhadas ao Lacen/CE para análise

Além da realização dos exames, o laboratório acompanha continuamente a qualidade das amostras recebidas, monitora os fluxos de envio e contribui para a organização da rede de coleta em todo o estado. Os dados gerados pela Triagem Neonatal também auxiliam a vigilância em saúde, permitindo conhecer melhor o perfil das doenças rastreadas e apoiar o planejamento de políticas públicas voltadas à saúde da criança.