Pianista Thiago Almeida se apresenta no TJA neste domingo, compondo músicas na hora a partir de livro de Manoel de Barros

O pianista Thiago Almeida, um dos mais inovadores artistas da cena cearense, nacionalmente admirado entre os músicos, apresenta um espetáculo diferente, neste domingo, às 17h, no foyer do Theatro José de Alencar. No show “Piano Solo Adubo e Florestas”, o artista convida o público para conferir composições feitas na hora, improvisadas de acordo com a atmosfera, o momento, a energia do público e a sensibilidade deste pianista, a partir do livro “Retrato do Artista quando Coisa”, do poeta Manoel de Barros.
O nome do show faz referência às metáforas de Manoel e à imagem e árvores em solo fértil na floresta sonora e vital do artista, um músico de extrema criatividade e que encontrou no piano suas técnicas de voo ouvindo sons de todo tipo através do pai. Um trabalho de piano solo solo que evidencia as diversas possibilidades de sua estética, transcendendo a técnica e chamando atenção para a poesia e a música que estão dentro de cada pessoa.
“É o elo entre matas do jazz, erudito, da música folclórica brasileira e universal quebrando todas as barreiras e paradigmas de estilo”, aponta o pianista do aclamado grupo Marimbanda, citando, entre outras inspirações, Alberto Nepomuceno, Hermeto Pascoal, F. Chopin, Chick Corea, Tom Jobim, Liduíno Pitombeira, Pixinguinha, Luizinho Duarte, Aroldo Araújo, F. Lizt, Luiz Gonzaga, Ravel… Todas referências possíveis, mas que não dão conta de situar o trabalho do pianista, exemplificado no disco “Uneração Vital”, um dos álbuns mais elogiados da nova música cearense.
Música nascendo da poesia
“Nesse show e nos próximos que vou fazer no Theatro José de Alencar parto em cada apresentação de um livro do Manoel de Barros. Toca aquelas palavras que têm lá, de alguma maneira, conduzem os caminhos das músicas que vão surgir na hora”, aponta Thiago Almeida.
“Não é uma descrição daquelas coisas lá. É uma inspiração. Não é um recital de poesias, nem um significado literal ali daqueles poemas, uma comparação. Uso Manoel de Barros como inspiração, como uma estética de composição para o que vou criar ali no momento”, indica.
“O mote principal é este, o piano acústico, que no contexto do Manoel de Barros é um ser biológico, uma coisa que vou durante o espetáculo destrinchando como algo que tem vida. Vou fazendo uma espécie de narração poética da existência do piano. E dando um contexto manoelês, aquela coisa de dar uma atenção pras coisas que seriam as coisas mais pequenas”.
“Em outro show com base em outros poemas dele fiz uma música com a tampa do teclado. Ela tem um som de abrir porta, assim. Uma coisa diferente ali, diante daquelas teclas encantadoras, aqueles dentes tão bonitos… Vou procurando essa espécie de som, uma experimentação da parte sonora”, acrescenta.
Músicas não serão gravadas
“Não é algo experimental de ir improvisando caminhos, caminhos infinitos. Tenho os temas, que são nomes de poemas. Nesse show agora serão poemas do ‘Retrato do Artista quando Coisa’”, indica o pianista, assegurando que nenhuma das composições será gravada. Assim, o show acontece de forma efêmera e irrepetível, tal como o jazz ou o teatro. Quem ouviu, ouviu.
“Nada vai ser gravado. A ideia é aquele momento. Acontece lá e pronto. Tem umas músicas que fico com um pouco de pena”, confessa Thiago. “Mas a ideia é essa, juntamente com uma preparação que vai além da técnica. Não é uma improvisação livre, como costuma se falar. É uma improvisação com toda a referência do que a gente entende como música instrumental, desde o repertório clássico, que tem o piano, até a música instrumental popular, que tem o tema como motivo, como guia”, delimita.
“A grande importância do trabalho é a invenção, a improvisação com o caráter poético, a estrutura poética. Que na música é quase uma ‘canção instrumental’, não é? Uma espécie de sonata que sempre vai retomar aquele tema. Embora seja improvisado, quem está acompanhando consegue ligar os sons”, ressalta o músico.
Próximos shows
Em 5 de março o músico voltará ao foyer do TJA, para nova apresentação com a mesma proposta, mas partindo de outro livro do poeta “amanhecido a pássaros”. Já em abril o show ganha o palco principal do Theatro José de Alencar, no dia 22. “Ali será uma versão mais espetáculo, com iluminação diferente e com a presença de convidados, como o Eduardo Elói, que chamei pra fazer uma interação com esse trabalho, compor coisas na hora”.
SERVIÇO
Thiago Almeida – Domingo, 5 de fevereiro, às 17h, no foyer do Theatro José de Alencar. Criação de músicas ao vivo, a partir de poemas de Manoel de Barros. Ingressos: R$ 10,00 (meia R$ 5,00).