Exposição de Eduardo Eloy na Pinacoteca do Ceará faz retrospectiva do artista cearense que transita entre a pintura, gravura e as artes gráficas

Selecionada pelo I Edital Ciclo de Exposições e Performances do museu, lançado em 2025, “Parque gráfico – Diversão total” tem curadoria de Luciana Eloy e será aberta no sábado (20)
Com um convite à ludicidade e à criação coletiva, a Pinacoteca do Ceará abre a exposição Parque gráfico – Diversão total, de Eduardo Eloy, no sábado (20), a partir das 17h. A individual faz uma retrospectiva dos 47 anos de trajetória do artista cearense que transita entre a gravura, a pintura e as artes gráficas. Selecionada por meio do edital Ciclo de Exposições e Performances da Pinacoteca do Ceará, museu que integra a Rede de Espaços e Equipamentos Culturais de Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE) e é gerido em parceria com o Instituto Mirante, a mostra tem patrocínio da Cagece. A classificação indicativa é livre e o acesso é gratuito.
Parque gráfico – Diversão total convida o público a experimentar o espaço expositivo como um grande parque gráfico. Entre as 111 obras que integram a exposição estão gravuras, xilogravuras, pinturas, cadernos-matrizes, materiais gráficos, ferramentas do trabalho de gravador e instalações, além de um grande mural interativo em constante transformação. Com curadoria de Luciana Eloy, pesquisadora, irmã e memorialista do artista, a mostra evita cronologias rígidas e se organiza em dois eixos conceituais que se expressam em cinco núcleos, que servem de norte para a experiência dos visitantes.
“Memória” é o primeiro eixo, que resgata a formação do artista na Escola de Artes Visuais do Parque Lage (RJ) e sua inserção na efervescente Geração 80. Esse panorama histórico evoca o desejo de liberdade e renovação estética do período pós-ditadura militar, contextualizando a atuação de Eloy no pioneiro Grupo Aranha de pintura mural em Fortaleza e conectando-se à sua pintura exibida recentemente na mostra itinerante Fullgás: artes visuais e anos 1980 no Brasil, do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).
No núcleo Memória – Gravura, a linguagem gráfica surge como eixo fundante da produção de Eloy através de obras em xilogravura, gravura em metal, litografia e colografia. Estará exposta a primeira prensa trazida por ele ao estado no início da década de 1980, utilizada na formação de dezenas de gravadores nos ateliês coletivos que ajudou a implementar em espaços como a Casa de Cultura Raimundo Cela, o Museu de Arte da UFC (MAUC) e a Escola de Arte e Ofícios Thomaz Pompeu Sobrinho. Já em Memória – Pintura, o público confere o trânsito do artista por outros suportes como em telas e quadros, evidenciando a força das cores e texturas em grandes formatos.
O segundo eixo da exposição é “Experimentação”, que apresenta Eloy como um artista múltiplo. Tendo o pensamento gráfico como motor, ele passeia livremente pelas técnicas tradicionais e expande as fronteiras dos meios ao fundir materiais, suportes artesanais e novas mídias. Em Experimentação – Gravura Expandida, a série “Parque Gráfico Diversão Total” evidencia a fusão da gravura com técnicas como transfer, desenho, crayon e aquarela. Já em Ressonâncias – Cadernos Matrizes, os cadernos de artista de Eloy ganham nova dimensão: cada página, trabalhada manualmente com desenhos e colagens, é tratada como matriz gráfica e impressa digitalmente em fine art.
O PARQUE E SUAS RESSONÂNCIAS COLETIVAS POR MEIO DO EDUCATIVO
O último núcleo da exposição, Mosaico Gráfico, materializa a proposta de construção coletiva mediada pela equipe educativa da Pinacoteca do Ceará. Ao longo de todo o período da mostra em cartaz, os visitantes poderão compor um mural utilizando stickers e aparas de material adesivo coletado de gráficas da cidade, gerando uma obra coletiva em constante transformação.
Essa dinâmica dialoga diretamente com o conceito de ressonâncias que move o trabalho do artista. Fragmentos de corações, figuras bestiais, máscaras, foguetes, carrinhos e aviões perpassam as obras de Eloy não como formas inteiras, mas como estilhaços bricolados de revistas, do chão e da memória afetiva.
A exposição segue em cartaz na Pinacoteca do Ceará de 20 de junho a 13 de setembro de 2026.
Conheça o artista

Eduardo Eloy é artista visual, vive e trabalha em Fortaleza-CE, onde atua também como professor de gravura e materiais artísticos. Do final da década de 1970 a 1981, dedicou-se à formação artística no Rio de Janeiro, em instituições como Fundação Calouste Gulbenkian, MAM-RJ e EAV–Parque Lage. Retornou a Fortaleza em 1981, quando integrou a geração de artistas cearenses que repensou a pintura e a gravura nos anos 1980 e 1990, período em atuou no Grupo Aranha, coletivo que ativou ações de muralismo e intervenções artísticas na capital cearense. Entre 1983 e 1998 implanta de forma pioneira no Ceará, por meio da Secult, cursos dedicados à formação integral na linguagem da gravura, com a inovação da metodologia de ateliê coletivo trazida da experiência na EAV-Parque Lage. Traz para o estado a primeira prensa de gravura instalada na Casa de Cultura Raimundo Cela. A construção de seu processo criativo e produção artística caminha lado a lado com o de professor em gravura, resultando em um trabalho que transita entre o aprender e o ensinar.
Conheça a curadoria

Luciana Eloy é professora, pesquisadora, curadora e produtora cultural em artes visuais, territórios criativos e Design. Mestre em Artes pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e bacharel em Artes Visuais pela Universidade de Fortaleza (Unifor). Sua pesquisa investiga a educação em arte em interação com a atividade de curadoria, tendo como enfoque a arte e cultura brasileira, articuladas em uma abordagem processual e transdisciplinar com o sentido de reforçar as inter-relações entre contexto socio-cultural e os processos criativos. Desde 2014 é professora de História da Arte na Pinakotheke Fortaleza. Atua também como consultora de arte-educação e projetos educativos na Unifor. Desde 2018 é diretora de criação e educação na Viver Mais Cultura, empresa voltada para a pesquisa, difusão e promoção da arte e cultura brasileira, através de projetos culturais na iniciativa pública e privada.
SOBRE A PINACOTECA DO CEARÁ
Inaugurada em dezembro de 2022 pelo Governo do Ceará, a Pinacoteca do Ceará tem a missão de salvaguardar, preservar, pesquisar e difundir a coleção artística da instituição, sendo espaço de ações formativas com artistas, comunidade escolar, famílias, movimentos sociais, organizações não governamentais e demais profissionais do campo das artes e da cultura. Trata-se de um espaço de experimentação, pesquisa e reflexão para promover o diálogo entre arte e educação a partir de práticas artísticas. Desde a abertura, o museu já recebeu mais de 290 mil visitantes.
SERVIÇO
Abertura da exposição Parque gráfico – Diversão total, de Eduardo Eloy
Curadoria: Luciana Eloy
Quando: Sábado, 20 de junho, a partir das 17h
Local: Pinacoteca do Ceará (Rua 24 de maio, s/n, Centro)
Acessibilidade: Libras
Classificação indicativa: Livre
Gratuito