Hospital Universitário do Ceará reforça importância do diagnóstico precoce da escoliose

Caracterizada por uma deformidade tridimensional da coluna vertebral, a escoliose pode se desenvolver de forma silenciosa e passar despercebida durante anos. A condição causa dores, limitações funcionais e impactos na qualidade de vida quando não diagnosticada e tratada adequadamente. Por isso, reforça-se a importância da identificação precoce e do acompanhamento especializado. No Hospital Universitário do Ceará (HUC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), o acesso ao tratamento da doença tem sido ampliado.
Segundo Rômulo Pinheiro, coordenador do Serviço de Ortopedia do HUC, a escoliose estrutural não é causada pela má postura, como muitas pessoas ainda acreditam. “Existem diferentes tipos e causas para a escoliose, sendo a forma idiopática [sem causa definida] a mais comum. Cada tipo possui características próprias e exige acompanhamento individualizado, pois a evolução e o tratamento podem variar significativamente entre os pacientes”, destaca o ortopedista.
Aos 17 anos, o paciente João Victor Ferreira, natural de Horizonte, precisou passar por uma cirurgia corretiva no HUC. O diagnóstico foi feito no início da adolescência, após o jovem perceber dificuldades para realizar atividades que faziam parte da sua rotina. “Emocionalmente, a escoliose não me incomodava tanto. Mas fisicamente, sim. Eu deixei de fazer muitas coisas. Jogava futebol todos os dias e, com o tempo, precisei diminuir bastante as atividades físicas”, relata.

Aos 17 anos, o paciente João Victor Ferreira precisou passar por uma cirurgia corretiva no HUC
A escoliose pode surgir em diferentes fases da vida, mas é mais frequentemente identificada durante os períodos de crescimento acelerado, na infância e na adolescência. Entre os principais sinais de alerta estão ombros desnivelados, diferença na altura dos quadris, assimetria da cintura e inclinação do tronco para um dos lados.
Rômulo Pinheiro ressalta que a identificação precoce é fundamental, especialmente durante a fase de crescimento. “É importante lembrar que a maioria dos adolescentes com escoliose não apresenta dor. Por isso, a observação cuidadosa por familiares e profissionais de saúde, associada a avaliações periódicas, é essencial para o diagnóstico precoce”, explica.
De acordo com o especialista, identificar a doença corretamente amplia as possibilidades de tratamento e contribui para evitar a progressão das deformidades da coluna. A avaliação é realizada por meio de exame físico detalhado e radiografias panorâmicas da coluna, que permitem medir o ângulo de Cobb, principal parâmetro utilizado para quantificar a escoliose. Dependendo do caso, também podem ser solicitados exames complementares, como ressonância magnética e tomografia computadorizada.
O Hospital Universitário do Ceará (HUC) é a unidade de referência para casos cirúrgicos na rede pública estadual. Em 2025, foram registradas 29 cirurgias corretivas. Já em 2026, a unidade realizou 38 procedimentos, até o momento. O acesso se dá via Central de Regulação do Estado.
“Quando indicada, a cirurgia é uma importante aliada no tratamento. Atualmente, as técnicas cirúrgicas modernas permitem corrigir a deformidade com elevados índices de segurança, utilizando sistemas de parafusos e hastes associados à monitorização neurológica intraoperatória. Isso proporciona melhora do alinhamento da coluna, da funcionalidade e da qualidade de vida dos pacientes”, destaca o médico.