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SEPINCE lidera articulação histórica que garantiu homologação de três terras indígenas no Ceará

SEPINCE lidera articulação histórica que garantiu homologação de três terras indígenas no Ceará

Com presença de lideranças cearenses e nacionais, incluindo o presidente Lula, a ministra Sônia Guajajara, o governador do Ceará, Elmano de Freitas, e a secretária dos Povos Indígenas do Ceará, Juliana Alves, Brasil homologa oficialmente três territórios indígenas no Ceará. Estado atinge marco de cinco terras homologadas e vira página da omissão histórica.

Em uma cerimônia carregada de simbolismo e emoção realizada nesta quarta-feira (6), no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou a homologação de três terras indígenas no estado do Ceará, marcando um novo capítulo na história dos povos indígenas do Nordeste. O evento contou com a presença do Ministro da Educação, Camilo Santana, da Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, do governador do Ceará, Elmano de Freitas, da secretária dos Povos Indígenas do Ceará, Juliana Alves — Cacika Irê, e do Superintendente do IDACE, João Alfredo.

As terras agora oficialmente homologadas são:

Jenipapo-Kanindé – Lagoa Encantada (Aquiraz)
Área: 1.764,275 ha

Tremembé de Queimadas – Acaraú
Área: 751,155 ha

Pitaguary – Maracanaú e Pacatuba
Área: 1.779,88 ha

Com essas homologações, o Ceará passa a contar com cinco territórios indígenas oficialmente reconhecidos pelo Estado brasileiro.

A medida é fruto direto do Acordo de Cooperação Técnica assinado em novembro de 2023 entre a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Instituto do Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) — vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA) — e a Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará (Sepin), que teve papel decisivo na articulação política e institucional do processo.

“A Secretaria dos Povos Indígenas do Ceará atuou como articuladora de todo esse processo, garantindo o diálogo entre as instituições e os povos”, afirmou Juliana Alves, destacando o papel pioneiro do estado. “O Ceará, que por muito tempo esteve entre os estados mais atrasados na homologação de territórios indígenas, hoje dá um salto sem precedentes”, completou.

A conquista, embora histórica, ainda não está completa. O acordo firmado contemplava quatro terras indígenas, e uma delas permanece em fase de demarcação física: a Terra Indígena do povo Tapeba, localizada no município de Caucaia.

Ainda assim, o avanço é inegável. Além das três novas terras homologadas, o Ceará já tinha garantido a demarcação da Terra Indígena Córrego João Pereira e da Barra do Mundaú, ambas do povo Tremembé, nos municípios de Itarema e Itapipoca, respectivamente.

Para os povos indígenas do Ceará, essa é mais do que uma vitória burocrática. É o reconhecimento de um direito ancestral, um passo concreto na reparação de séculos de negação e invisibilização. O ato no Palácio do Planalto foi, como definiu Juliana Alves, “uma conquista dos povos, uma reparação histórica e um marco para o Ceará.”