Campanha combate tabagismo no Instituto Penal Feminino

Um grupo de 25 internas do Instituto Penal Feminino Desembargador Auri Moura Costa iniciou na última semana de outubro uma campanha pioneira dentro do presídio no intuito de largarem o vício do tabaco. A iniciativa surgiu a partir de um levantamento realizado com 461 detentas pela educadora física Zélia Paulino, aplicando o questionário Grau de Dependência do cigarro, do Dr. Dráuzio Varella, e que constatou que cerca de 75% delas são fumantes.
O grupo durante todo o processo terá acompanhamento multidisciplinar com médicos, psicólogos, terapeuta ocupacional, além da educadora física, que diariamente desenvolverá atividades físicas como caminhadas e corridas, além de palestras de motivação e auto-ajuda com as detentas. Segundo a diretora do presídio, Analupe Araújo de Sousa, este trabalho já é um grande exemplo para as demais detentas. “Este grupo terá acompanhamento permanente e o grupo está de braços abertos a receber outras detentas”, afirmou a diretora do IPF.
Ainda segundo Analupe, a atividade faz parte de um plano de estímulo ao bem-estar das detentas, tendo a atividade física e a saúde como foco. “Até o final do ano deveremos realizar a Semana Cultural dentro do IPF que terá como tema “Sem saúde não há vida”, acho muito louvável a iniciativa das detentas de assumirem a opção de levar uma saudável”.
Para vencer o vício, o grande desafio para as detentas é ter a força de vontade para permanecerem longe do vício. A educadora física Zélia Paulino propôs a adesão à campanha Brasil sem Cigarro do Fantástico, programa da Rede Globo. “Durante a campanha decidimos usar como principal instrumento a realização de atividades que proporcionam benefícios físicos, mentais e sociais”.
Um dos fatores preocupantes no combate ao vício é que o consumo da nicotina é iniciado muitas vezes ainda na infância, como é o caso da detenta Deisilane de Sousa Ferreira, que começou a fumar com 10 anos, e hoje, aos 22 anos, já sente os efeitos do cigarro. “Embora não fume há muitos anos como vejo outras pessoas fumarem, já sinto minha saúde prejudicada e tenho medo de morrer cedo”, afirma. Deisilane entrou no projeto no dia 31 de outubro, quando fumava 10 cigarros por dia, hoje não fuma nenhum.
Redução e controle – Algumas não conseguem parar totalmente, mas já se sentem melhor com a redução de nicotina. É o caso da interna Mayara Pinheiro Alves, de 20 anos, começou a fumar com 18 anos e decidiu parar. Mayara fumava em torno de 14 cigarros, hoje está fumando 8 cigarros por dia. Já a detenta Francisca Claudenice Augusto da Silva de 24 anos, que está grávida de 6 meses. Fumava cerca de 60 cigarros e hoje fuma 2 cigarros por dia, decidiu parar de fumar para não prejudicar a criança.