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Internos da UP Irmã Imelda participam de grupos preparatórios para instalação da Apac

Internos da UP Irmã Imelda participam de grupos preparatórios para instalação da Apac

Todo processo de recuperação depende da força de vontade do indivíduo, mas a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) busca sempre ofertar oportunidades que viabilizem essa transformação. Foi com base nisso que a Sejus abriu as portas da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes para o treinamento de voluntários e a preparação de internos para a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac), modelo de cumprimento de pena que deve ser implantado no Estado ainda este ano. As formações ocorrem todas as quartas e reúnem 40 internos.

O modelo penal é referência em Minas Gerais e registra uns dos menores custos e índices de reincidência vistos em unidades prisionais. A idéia é implantar a metodologia no Ceará com o apoio da iniciativa privada através do grupo Mulheres do Brasil. Enquanto a implantação não acontece, profissionais de saúde e educação e representantes religiosos voluntários se reúnem semanalmente na UP Irmã Imelda e trabalham o autoconhecimento e a valorização da vida dos internos a partir de rodas de conversa.

Suyane Gomes, reclusa há cerca de um ano, começou a participar dos grupos de formação da Apac há cerca de dois meses e acredita na força dos encontros para uma mudança de perspectiva: “Se estou presa e apenas sou jogada em uma cela, eu vou sair pior do que entrei. Mas se posso contar com uma equipe que me ouve e que realiza um trabalho de conscientização, eu crio forças para superar os problemas”.

A troca de experiências é também uma forma de trabalhar os candidatos: “Durante os encontros nós conversamos, escutamos o que o outro diz e posso ver que não estou sozinha. Desenvolvemos uma visão mais humana, aprendemos a conviver com as diferenças e somos tratados de igual para igual”, afirma Suyane.

Como uma alternativa ao método tradicional, as Apacs funcionam em um sistema de autogestão entre recuperandos e profissionais, sem polícia ou agentes penitenciários. O trabalho conta com a com a participação da família e da sociedade civil. A seleção dos internos da Associação é determinada por autorização judicial mediante solicitação, não tendo a Sejus e a Apac participação nesse processo.