Projeto Querer beneficia 160 detentos da comunidade LGBT em unidades prisionais do Ceará

160 detentos da comunidade LGBT são beneficiados pelo Projeto Querer realizado pela Secretaria da Administração Penitenciária, através da Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso, em parceria com Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Os recursos financeiros do projeto são do Fundo Penitenciário Nacional.
Nas unidades Instituto Penal Feminino Auri Moura Costa (IPF) e Irmã Imelda Lima Pontes os detentos beneficiados iniciaram o curso desde junho deste ano e estão na reta final da qualificação.
São 120 vagas ofertadas para os cursos de limpeza e manutenção predial no IPF. Uma das detentas que realiza o curso é Jéssica Martins, que admite ter curiosidade de entender como funciona o sistema elétrico. “Sempre tive problemas com energia, essas coisas sabe? Então quando apareceu a oportunidade de participar desse curso foi uma ótima oportunidade. Já passei por alguns problemas e agora vejo como é interessante aprender sobre esse universo que também vê outras questões como a hidráulica”, ressalta Jéssica.
No Irmã Imelda os cursos são de cabeleireiro e bijuterias. As qualificações têm a carga horária de 160 horas/aula e 40 vagas. Além disso, todos os apenados recebem em 20 horas/aula o curso de empreendedorismo.
A interna Natália Dantas realizou o curso de cabeleireiro e acredita que, com a certificação, terá mais chances de trabalho. “Já tinha experiência nessa área, mas aula teórica, e um certificado nunca tive. É importante essa qualificação para o mercado de trabalho ou abrir o nosso próprio negócio após conseguir a liberdade”, detalha.
Valorizar a comunidade LGBT e auxiliar na ressocialização desses detentos é o grande trunfo do Projeto Querer, é o que define a coordenadora da Cispe, Cristiane Gadelha. “O projeto é importante porque tem por objetivo possibilitar a população LGBT, custodiada o acesso aos cursos profissionalizantes mais voltados ao seu interesse, e mais próximos da sua orientação sexual, ajudando na sua inserção social”, explica Cristiane.