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Ceará se destaca com maior número de internos participantes da 2ª edição da Jornada da Leitura no Cárcere

Ceará se destaca com maior número de internos participantes da 2ª edição da Jornada da Leitura no Cárcere

Com o objetivo de estimular as práticas sociais de leitura existentes no sistema penitenciário brasileiro, o Observatório do Livro e da Leitura realiza a 2ª edição da Jornada de Leitura no Cárcere.

Mais de 8 mil pessoas privadas de liberdade participam do evento em unidades prisionais de todo o País. O Ceará é o Estado com maior número de participantes, com 1.747 internos inscritos e atuantes de forma simultânea em 9 unidades prisionais diferentes.

De forma gratuita e online, a ação conta com o apoio do Programa Justiça Presente – atual Fazendo Justiça, uma parceria entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Os principais objetivos da Jornada são identificar e disseminar as boas práticas sociais de leitura existentes no sistema carcerário brasileiro; desenvolver e atualizar a formação de educadores e monitores que atuam no sistema prisional, além de formar pessoal e voluntários para apoiar a ampliação da rede de projetos de leitura na prisão.

O evento ocorre desde o dia 21 de setembro, no canal oficial do CNJ no YouTube, das 14:30h às 17h. Um dos destaques da abertura foi a aprovação recente da Resolução CNJ n. 391/2021, em que o plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentou a remição de pena por meio de práticas sociais educativas.

Também está em andamento um censo nacional sobre leitura nos espaços de privação de liberdade com o objetivo de identificar as condições nas bibliotecas e acervos nos estabelecimentos prisionais e socioeducativos de todo o país para a criação de bases sólidas para proposição e aprimoramentos na área.

A iniciativa conta com a participação de servidores do sistema penitenciário, judiciário, população privada de liberdade, servidores e voluntários ligados a educação prisional, egressos do sistema, sociedade civil, entre outros.

A responsável pela Coordenadoria de Inclusão Social do Preso e do Egresso (Cispe), Cristiane Gadelha, ressalta que as inscrições dos internos nessa jornada é um momento de vitória, de consagração de um trabalho cuidadosamente organizado pelo secretário Mauro Albuquerque. “Verificamos que 9 unidades prisionais envolvidas são unidades onde a educação funciona diariamente, com os alunos recebendo educação básica e fazendo a leitura. Isso faz a gente ficar cada dia mais animado de que é sim possível ter um sistema organizado e inclusivo”, comemora.

O coordenador da educação da SAP, Rodrigo Moraes, destaca a garantia do acesso à educação aos internos e a remição de pena através da leitura. “A Secretaria de Administração Penitenciária se orgulha em promover o acesso a mais de 1700 internos nesta jornada. Eles terão oportunidade em conhecer as práticas de leitura e escritas em ambientes prisionais em várias unidades da Federação, além de leis e resoluções que garantem a remição de pena através da leitura. Isso só é possível por que as unidades prisionais estão disciplinadas e conta com o apoio da direção e dos policiais penais para garantir os projetos de inclusão social”, ressalta.

De acordo com a diretora-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Tânia Fogaça, somente em 2021 foram distribuídas mais de 266 mil obras literárias a unidades prisionais dos 27 estados, com investimentos de cerca de R$ 4,5 milhões provenientes do Fundo Penitenciário Nacional. São obras que incluem clássicos como Dom Casmurro, Crime e Castigo e A Volta ao Mundo em 80 dias.

“O Depen incentiva a leitura nas unidades prisionais, inclusive para que as pessoas presas possam ser credenciadas à remição de suas penas por meio de uma atividade educativa. Este investimento faz parte do conjunto de ações para que essa população tenha a oferta de leitura oferecida pelo Estado e, assim, garantido o acesso a ações que irão contribuir para sua ressocialização”, afirmou Tânia.

Projeto Livro Aberto

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) incentiva a leitura como um caminho para ressocializar e reduzir a pena de internos.

O projeto Livro Aberto visa facilitar o cumprimento da lei estadual n° 15.718/2014, a qual prevê remição da pena por meio da leitura. Atualmente, há 7.500 internos lendo, mensalmente, em 17 unidades prisionais do Ceará.

O interno escolhe, a cada mês, uma obra literária dentre os títulos selecionados para a leitura. O apenado tem o prazo de 21 a 30 dias para apresentar o relatório de leitura ou resenha. O relatório deve ser elaborado de forma individual, presencial, em local adequado.

A resenha que atingir a nota igual ou superior a 6,0 é aprovada pela Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc). Ao final de 12 obras lidas e avaliadas, ele terá a possibilidade de diminuir até 48 dias a cada 12 meses da pena.