Comissão do Conselho Nacional de Justiça visita projeto APAC no IPPOO II
Uma comissão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) inspecionou as dependências do Instituto Presídio Professor Olavo de Oliveira II, em Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza, na manhã desta quinta-feira, 09 de fevereiro. Os representantes do CNJ, os juízes Luciano Losekann e George Lins, foram recebidos pela diretora do IPPOO 2, Ruth Leite, acompanhados dos também juízes Eduardo Scorsafava e Jaime Medeiros Neto, da Corregedoria Geral da Justiça do Ceará, e Luiz Bessa Neto, titular da Vara de Execução Penal e Corregedoria dos Presídios. Todos compõem a equipe que fará o mutirão carcerário do Ceará que iniciou nesta quarta (10) e segue até o dia 10 de março.
Durante a visita ao IPPOO 2 a comissão de juízes conheceu o trabalho implementado a partir do método APAC – elaborado pela Federação Brasileira de Assistência ao Condenado – na vivência 5 e pode conversar abertamente com os 45 apenados instalados nas 9 celas. “Pretendemos analisar o processo de todos os 15.901 presos do Estado do Ceará e conceder os benefícios a que cada apenado tenha direito”, garantiu o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF/CNJ), juiz Luciano Losekann, em conversa com os detentos.
Os integrantes do CNJ incentivaram o programa APAC hoje em atuação em três vivências do IPPOO 2. Sobre o método aplicado, Dr. Luciano Losekann explicou que o projeto APAC deve ser incentivado como política de Estado. “O CNJ possui a Resolução 96 que incentiva a implementação do método APAC por acreditar que ele é essencial na ressocialização do apenado. É um dos únicos, eu diria, o único no País que é agente de transformação, sendo um caminho viável como ação de segurança pública”. O juiz reconhece que o número de reincidentes no método APAC é menor em comparação com o sistema convencional. “O índice de reincidência que tem oportunidade de passar pela APAC é mínimo, cerca de 2%, enquanto a reincidência nos métodos tradicionais gira em torno de 70%”, informa.
Mutirão – Às 15 horas, durante a solenidade de abertura do mutirão carcerário do Ceará no Fórum Clóvis Beviláqua, Dr. Losekann apontou algumas necessidades no sistema informatizado, como a certidão de antecedente criminais, mandado de prisão expeditos eletronicamente facilitariam o trabalho do Sistema Penal do Ceará. Em resposta, Dr. Augusto Câmara, secretário adjunto da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará, informou que a integração dos sistemas do Judiciário e Executivo no que tange a execução penal é uma das medidas emergenciais da nova gestão da pasta. “A Sejus à luz destas preocupações expostas pelo CNJ sobre a celeridade dos trabalhos comunica aos presentes que já iniciou os estudos para a integração dos sistemas da Secretaria da Justiça, Vara de Execuções Criminais e Segurança Pública”. A integração prevê um sistema de consultas integradas sobre a situação de cada detento.
O último mutirão carcerário no Ceará aconteceu entre julho e dezembro de 2009. A mobilização revisou os processos de cerca de 9 mil detentos, reconhecendo o direito à liberdade a cerca de 2,7 mil presos e outros benefícios a cerca de 4 mil presos que cumpriam pena em presídios do Ceará.
APAC no IPPOO 2 – O método APAC inspira-se no princípio da dignidade da pessoa humana e na convicção de que ninguém é irrecuperável, pois todo homem é maior que a sua culpa. Alguns dos seus elementos formadores do programa são: a participação da comunidade, sobretudo pelo voluntariado; a solidariedade; o trabalho como possibilidade terapêutica e profissionalizante, a religião como fator de conscientização; o apoio a integridade física e psicológica; a participação da família do apenado como um vínculo afetivo e o mérito como avaliação de sua recuperação. Em 1986, o modelo foi reconhecido pela Prison Fellowship International (órgão consultivo da Organização das Nações Unidas (ONU) em assuntos penitenciários, como uma alternativa para humanizar a execução penal e o tratamento penitenciário.
Existem na unidade IPPOO 2 atividades ocupacionais e laborativas como marcenaria, alimentações (cozinha e padaria), atividades de manutenção, limpeza, capina e lavanderia, “Arca das Letras” (projeto do Governo Federal) e escola. Dos 577 (quinhentos e setenta e sete) internos, 243 (duzentos e quarenta e três) estão com algum tipo de atividade diária, o que beneficia toda unidade prisional, pois reflete diretamente no comportamento, ordem e disciplina, além de contribuir na ressocialização do apenado.