Notícias em Destaque

XV Bienal Internacional do Livro do Ceará promove palestra da escritora Nina Rizzi para internas do sistema prisional cearense

XV Bienal Internacional do Livro do Ceará promove palestra da escritora Nina Rizzi para internas do sistema prisional cearense

A Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização, em parceria com a XV Bienal Internacional do Livro do Ceará, promoveu uma palestra com a escritora Nina Rizzi sobre o tema “O que pode a escrita?”, destinada às internas da Unidade Prisional Feminina Desembargadora Auri Moura Costa (UPF).

A atividade fez parte do Bienal Adentro Ceará, um projeto de extensão da Bienal que leva literatura e arte a comunidades de diversos contextos, incluindo aquelas privadas de liberdade, promovendo a inclusão cultural fora dos limites do Centro de Eventos do Ceará.

A cerimônia de abertura contou com a presença de diversas autoridades, incluindo representantes da Secretaria da Educação do Estado do Ceará (Seduc), que integram a equipe da EEFM Aloísio Leo Arlindo Lorscheider, a primeira instituição do Estado do Ceará dedicada exclusivamente à educação nas unidades prisionais da região metropolitana de Fortaleza. Durante o evento, o grupo musical “Acordes para a Vida”, formado por internas da unidade prisional e regido pelo maestro Gladson Carvalho, encantou os convidados com uma apresentação musical.

Logo após, internas participantes do projeto “Livro Aberto” prestaram uma homenagem à escritora Nina Rizzi, lendo trechos de seus poemas e livros. Durante a palestra, Nina compartilhou sua trajetória pessoal e literária, destacando a importância de acreditar em si mesma e ressaltando o poder libertador da escrita e da leitura.

A diretora da Unidade Prisional Feminina Desembargadora Auri Moura Costa (UPF), Socorro Matias, fala que a Bienal é uma oportunidade única para as internas, um evento que simboliza a renovação e a ressignificação de suas vidas. “É um momento muito importante, especialmente para as internas, que têm a chance de mudar suas trajetórias. Com quase 30 anos de experiência no sistema penitenciário, vejo a evolução constante, principalmente entre as mulheres, que, apesar das dificuldades, buscam a mudança. O trabalho da Secretaria de Ressocialização tem sido essencial nesse processo, e a maior prova disso são as próprias internas, que, com suas histórias, mostram a verdadeira transformação”, afirma.

O professor da EEFM Aloísio Leo Arlindo Lorscheider, que ensina na Unidade Prisional Feminina Desembargadora Auri Moura Costa (UPF), Narcelio Fernandes, fala sobre a importância da leitura. “A leitura é fundamental para a autoestima, que pode ser positiva ou negativa. Espero que, através dela, vocês desenvolvam uma autoestima positiva, além de estimular a criatividade e a sociabilidade. A leitura nos permite viajar, sonhar e alcançar nossos objetivos. Os livros oferecem infinitas possibilidades, como a chance de estudar a distância e conquistar o sucesso profissional”, disse.

A palestrante e escritora, Nina Rizzi, se emociona ao falar da experiência. “Estou muito grata e emocionada com tudo o que vivi aqui. Ouvir as histórias e os poemas de outras mulheres, ver a música e as apresentações, foi incrível. Agradeço ao projeto Livro Aberto, que não só auxilia na remissão da pena, mas também na remissão da vida, oferecendo novas perspectivas e caminhos. Fico feliz de ter feito parte desse momento e tenho certeza de que essas mulheres irão seguir transformadas, criando e produzindo. Só tenho a agradecer a todos que acreditam na mudança e possibilitam que essas mulheres se sintam dignas e capazes”, concluiu.

A interna da Unidade Prisional Feminina Desembargadora Auri Moura Costa (UPF), Maria Vladina Carneiro, agradece a oportunidade. “Participar deste momento da Bienal foi uma experiência gratificante. A leitura é fundamental para nós, pois, apesar de estarmos presos fisicamente, nossa mente está livre. Esse evento me mostrou que aqui não é um fim, mas uma vírgula para recomeçar uma nova história”, atenta.

Projeto “Livro Aberto”

O projeto Livro Aberto visa a ressocialização e o desenvolvimento pessoal e educacional de pessoas privadas de liberdade, por meio da leitura de obras literárias que trazem diversas reflexões sobre temáticas sociais e, ainda, pode remir quatro dias de pena a cada leitura trabalhada.

O interno escolhe, a cada mês, uma obra literária dentre os títulos selecionados para a leitura. O participante tem o prazo de 21 a 30 dias para apresentar o relatório de leitura ou resenha. O relatório deve ser elaborado de forma individual, presencial, em local adequado.

A resenha que atingir a nota igual ou superior a 6,0 é aprovada pela Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc). Depois, é levado para a vara judicial para ser avaliado sobre a redução da pena. Ao final de 12 obras lidas e avaliadas, ele terá a possibilidade de remir 48 dias no prazo de 12 meses da pena.

EEFM Aloísio Leo Arlindo Lorscheider

A escola é a primeira do Estado do Ceará designada para atender, exclusivamente, à demanda de educação nas unidades prisionais da região metropolitana de Fortaleza.

O estabelecimento de ensino faz parte da estrutura organizacional da Secretaria da Educação do Estado do Ceará e tem como objetivo coordenar as ações pedagógicas, administrativas e financeiras desenvolvidas no contexto de escolarização no sistema penitenciário cearense, com oferta em diferentes níveis de ensino da educação básica, na modalidade da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

A oferta educacional é realizada em doze unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza, localizadas nos municípios de Itaitinga, Aquiraz, Pacatuba e Caucaia. O corpo docente é composto por 106 professores, atendendo cerca de 2.500 internos, distribuídos em 146 turmas, abrangendo desde a alfabetização até os anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio. Além das atividades escolares, a instituição também gerencia o projeto Livro Aberto, que conta com a participação de aproximadamente 10.000 internos, inscritos no programa de remição de pena pela leitura.

Doação de Livros

Para a doação de livros às bibliotecas das unidades prisionais, é preciso que as obras estejam em bom estado de conservação e que sejam de literatura brasileira (clássico, romances e modernos), literatura estrangeira, bestsellers, autoajuda e religiosos. A entrega dos livros pode ser feita na sede da Coispe (Av. Heráclito Graça, 600) ou através do telefone (85) 3101-7718.