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Internos da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes participam da 6ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos do Ceará com apresentação teatral sobre Consciência Negra

Internos da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes participam da 6ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos do Ceará com apresentação teatral sobre Consciência Negra

A arte como instrumento de transformação social e valorização da diversidade ganhou destaque na 6ª Conferência Estadual dos Direitos Humanos do Ceará, realizada nos dias 14 e 15 de outubro, na sede da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Ceará (OAB-CE), em Fortaleza. O evento é promovido pela Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará (Sedih), em parceria com o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos (CEDDH).

Representando o sistema prisional cearense, internos e internas da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes (UP-Imelda) marcaram presença com a apresentação do grupo teatral “Falando Português”, formado por pessoas privadas de liberdade da unidade. O grupo encenou a peça “Consciência Negra”, uma emocionante viagem pela trajetória do povo negro no Brasil.

A montagem retrata desde o período da escravidão até os dias atuais, abordando as lutas, desigualdades e a força da cultura afro-brasileira. O espetáculo encerra com uma reflexão inspiradora sobre a vida e o legado de Nelson Mandela, símbolo mundial da resistência, da liberdade e da igualdade racial.

A participação dos internos da UP-Imelda na Conferência reforça o compromisso do sistema prisional cearense com a ressocialização e o fortalecimento da cidadania, por meio de iniciativas que unem cultura, arte e educação em direitos humanos.

A Conferência Estadual é o principal espaço de participação social e construção coletiva de políticas públicas voltadas à promoção e defesa dos direitos humanos no Ceará. A edição deste ano reúne mais de 150 delegados eleitos nas Etapas Livres regionais, representando a sociedade civil e o poder público.

Durante o evento, os participantes debatem temas centrais como democracia, igualdade, justiça social, enfrentamento das violações e fortalecimento da institucionalidade dos direitos humanos. As propostas aprovadas serão levadas à 13ª Conferência Nacional dos Direitos Humanos, que acontecerá em Brasília, no mês de dezembro.

A secretária dos direitos humanos do Ceará, Socorro França, parabeniza a ação.“É um sentimento de muita alegria e de humanismo. É muito importante ver essas pessoas que hoje estão na Unidade Irmã Imelda tendo a oportunidade de se apresentar, de mostrar a arte e a cultura. Muitas delas talvez nunca tenham tido essa chance antes. Quem sabe, isso não representa também um sentimento libertário? A arte e a cultura podem ser caminhos de libertação. Parabenizo o sistema prisional e o secretário Mauro pela sensibilidade de compreender que a ressocialização não acontece apenas pelo trabalho, mas também por meio da arte e da cultura”, atenta. 

A presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, Ormezita Barbosa, fala da importância da presença dos internos na conferência. “É uma alegria muito grande receber o grupo de teatro aqui, porque representa, na prática, aquilo que defendemos: a ressocialização e a promoção da dignidade das pessoas. A arte e a cultura são instrumentos poderosos de reintegração, e ver esse trabalho acontecendo dentro da conferência é muito significativo. Essa experiência mostra como as ações concretas podem realmente transformar vidas”, disse. 

O diretor da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes (UP-Imelda), Paulo César, comemora mais um evento. “É um privilégio acompanhar mais uma apresentação do grupo teatral Falando Português, da Unidade Irmã Imelda. Cada peça é uma verdadeira aula de conscientização e valorização da cultura afro-brasileira. Ver o grupo crescendo, amadurecendo e levando arte para além dos muros da unidade é motivo de muito orgulho. Esse avanço é resultado do esforço coletivo e do compromisso da nossa equipe com a ressocialização e a reconstrução da trajetória dos internos”, atenta. 

O interno da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes (UP-Imelda) e coordenador do grupo teatral Falando Português, Fagner Carlos, fala sobre a experiência de levar cultura nos eventos externos. “É uma alegria muito grande poder levar nossa arte para fora dos muros e mostrar o que produzimos dentro do sistema prisional. O teatro tem sido uma ferramenta de transformação para todos nós, porque através dele conseguimos expressar sentimentos, refletir sobre nossas histórias e aprender a conviver em grupo. Mesmo privados de liberdade, nos sentimos parte da sociedade quando apresentamos nossas peças e recebemos o reconhecimento das pessoas. Cada externa é um passo importante na nossa ressocialização e um sinal de que é possível recomeçar com dignidade. Somos muito gratos ao secretário Mauro e a todos que acreditam e apoiam o nosso trabalho”, afirma.