Laboratório de Vetores, Reservatórios e Animais Peçonhentos Dr. Thomaz Corrêa Aragão
O Laboratório de Vetores, Reservatórios e Animais Peçonhentos Doutor Thomáz Corrêa Aragão foi criado em 30 de novembro de 2004 e atua na vigilância e no estudo de animais de importância para a saúde pública.
Entre suas principais atividades estão a identificação de insetos, moluscos e animais peçonhentos de interesse médico, além do monitoramento de vetores e reservatórios de doenças.
O Laboratório também desenvolve ações em parceria com instituições públicas e de pesquisa, visando ao monitoramento das populações de insetos, moluscos e animais peçonhentos de interesse para a saúde pública. Essas ações contribuem para a vigilância, a identificação de riscos, a prevenção e o controle de doenças e agravos, subsidiando a tomada de decisão e o planejamento das ações de saúde.
O equipamento faz parte da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde (Sevig), integrando a Célula de Vigilância Entomológica e Controle de Vetores (Cevet) da Coordenadoria de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Covat).
Visão
Tornar-se referência estadual no segmento de Laboratório de Vetores, Reservatórios e Animais Peçonhentos, orientado no sistema de gestão da qualidade total, visando à satisfação de todas as partes interessadas.
Missão
Realizar diagnóstico, identificação, treinamento e apoio técnico de qualidade, proporcionando a satisfação e melhoria contínua das partes interessadas.
Valores
Ética, honestidade, transparência, valorização das pessoas usuárias do Sistema Único de Saúde. Responsabilidade técnico-científica. Reconhecimento das parcerias como fator para o desenvolvimento e bem-estar das comunidades.
Apresentação
Existe uma dimensão do Sistema Único de Saúde que muitas vezes não é percebida pela população, mas que está presente antes mesmo de uma pessoa adoecer: a Vigilância em Saúde.
É nesse campo que atua o Laboratório de Vetores, Reservatórios e Animais Peçonhentos Dr. Thomaz Corrêa Aragão, contribuindo para que o SUS conheça os riscos presentes nos territórios e possa agir de forma antecipada na prevenção de doenças e agravos.
O laboratório estuda e identifica vetores, reservatórios, animais peçonhentos e outros organismos de importância para a saúde pública, buscando compreender onde estão, como vivem, como se relacionam com o ambiente e quais condições favorecem sua presença e a transmissão de doenças.
Mosquitos, flebotomíneos, triatomíneos, moluscos, carrapatos, escorpiões e outros organismos fazem parte dos ecossistemas e desempenham importantes funções na natureza. Entretanto, algumas espécies podem participar dos ciclos de transmissão de agentes causadores de doenças ou representar riscos à saúde humana e animal.
Entre os agravos relacionados a esses organismos estão dengue, chikungunya, Zika, febre amarela, doença de Chagas, leishmanioses, esquistossomose e acidentes por animais peçonhentos, entre outros.
Quem foi Thomaz Corrêa Aragão?

Thomaz Corrêa Aragão (1910-1998) nasceu em Ipu/CE, filho de Auton Aragão e Adalgisa Corrêa Aragão. Iniciou os estudos aos seis anos de idade na sua cidade natal, com professores particulares, concluindo o curso primário em Crateús-CE, dali seguindo para Fortaleza, onde fez o curso secundário no Colégio Cearense Sagrado Coração, nos anos de 1924 a 1929.
Em sequência, foi para o Rio de Janeiro, tendo sido graduado na Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil. Durante a fase de estudante universitário, estagiou com o professor Miguel Couto, na Sétima Enfermaria da Santa Casa de Misericórdia.
De retorno ao Ceará, instalou-se em Sobral, onde foi um dos mais notáveis clínicos do Estado, seja em consultório particular, assim como na Santa Casa de Misericórdia, instituição em que foi chefe da Clínica Médica. Clinicou ainda para os segurados do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Bancários e Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Industriários, além de ter laborado na Legião Brasileira de Assistência – LBA e no Departamento Nacional de Endemias Rurais.
Posteriormente, passou a dedicar-se com prioridade ao estudo do calazar e ao tratamento dos pacientes acometidos pela endemia. Na trilha da sua atuação científica, cabem ser citadas algumas participações e publicações: 3ª Reunião de Saúde do Estado, em Fortaleza, em face de um surto de Leishmaniose Visceral na Zona Norte do Ceará, em 1953; Tratamento da Leishmaniose Visceral em Sobral – CE, em coautoria com Joaquim Eduardo de Alencar; Calazar Canino – Contribuição para o Estudo da Epidemiologia do Calazar no Brasil – em coautoria com Dr. Joaquim Eduardo de Alencar – 1959. Leishmaniose Visceral no Brasil, em coautoria com Dr. Leônidas de Mello Deane; Estudos sobre Reservatórios e Transmissores, realizados no Estado do Ceará, edição do Serviço Nacional de Educação Sanitária – Rio de Janeiro, Brasil: Leishmaniose Visceral (Calazar) – Tese do Prof. José Rodrigues da Silva, editada pelo Serviço Nacional de Educação Sanitária – Rio de Janeiro, 1957. Participou igualmente de: Curso de Hepatopatias – IV Congresso Brasileiro de Gastrenterologia de Fortaleza – CE; XXIX Congresso Brasileiro de Cardiologia, Fortaleza – CE; IX Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. Fortaleza – 1971; XX Jornada de Ginecologia e Obstetrícia; VIII Congresso Nordestino de Ginecologia e Obstetrícia – Fortaleza-CE e Curso “Distúrbios Menstruais”.
Foi autor de capítulo do tratado “Parasitologia Médica”, do professor Samuel Bransley Pessoa; teve grande participação em congressos e outros eventos científicos na área médica, como o 3º Congresso da Associação Médica Brasileira, em Fortaleza.
Foi ainda membro fundador da Academia Sobralense de Estudos e Letras, ocupando a Cadeira 39, e membro do Centro Médico Cearense (CMC), atual Associação Médica Cearense (AMC). Foi alvo de importantes homenagens: Medalha Cultural Gaspar Viana, pelo Ministério da Saúde; Medalha Visconde de Saboya e Diploma de Honra ao Mérito pelo Rotary Club de Sobral. É o patrono da Cadeira 30 da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes.
(Informações baseadas em discurso de José Eduilton Girão, ao tomar posse na Cadeira 39 na Academia Cearense de Medicina. Anais – Academia Cearense de Medicina. v. 7, ano 7, 1998, p. 149-156).
Áreas técnicas
Acidentes por Animais Peçonhentos
Os animais peçonhentos são aqueles que possuem veneno e o injetam em suas presas ou agressores, como algumas serpentes, aranhas e escorpiões.
Ações:
- Investigação em casos de acidentes envolvendo seres humanos
- Manejo e cuidados com colônias de escorpiões
- Identificação e revisão de identificação de escorpiões, aranhas e serpentes
- Confecção de mostruários de escorpiões
Arboviroses
Arboviroses são doenças causadas por vírus transmitidos por insetos, principalmente, por mosquitos. As arboviroses mais comuns em ambientes urbanos incluem a dengue, chikungunya, Zika e febre amarela. Essas doenças representam um desafio significativo para a saúde pública, exigindo medidas de prevenção e controle eficazes para reduzir sua propagação.
Culicídeos (Aedes aegypti, Aedes albopictus, Anofelinos, etc.) e Ceratopogonídeos (maruim)
Ações:
- Colocação de ovitrampas para monitoramento/levantamento ou investigação
- Análise de espectro de gotas em equipamentos de UBV
- Manejo e cuidados com colônia de Aedes aegypti e Aedes albopictus
- Identificação e revisão na identificação de formas imaturas e adultas de Aedes spp.
- Confecção e disponibilização de mostruários de espécimes de Aedes spp.
Doença de Chagas
Conhecida como tripanossomíase americana, é uma doença transmitida principalmente pelo inseto barbeiro. É causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e pode apresentar uma fase aguda com sintomas como febre, inchaço e dores musculares, além de uma fase crônica que afeta principalmente o coração e o sistema digestivo. A prevenção inclui medidas de controle do vetor e cuidados com transfusões sanguíneas e transplantes de órgãos.
Triatomíneos (barbeiros)
Ações:
- Levantamento de fauna de triatomíneos
- Manejo e cuidados com colônias de triatomíneos
- Identificação e revisão na identificação de triatomíneos
- Dissecação de triatomíneos para determinação de infecção por T. cruzi
- Identificação e revisão na determinação de parasitos tipo T. cruzi
- Confecção de mostruários de espécimes
Doenças Emergentes
Doenças emergentes são doenças infecciosas novas ou identificadas recentemente que têm impacto no ser humano por sua gravidade e cuja incidência aumentou nas últimas décadas ou tende a aumentar em um futuro próximo.
Culicídeos
Ixodídeos (carrapatos)
Ações:
- Levantamento de fauna
- Identificação de espécimes
- Encaminhamento para instituto de referência para detecção de Rickettsia sp.s)
Esquistossomose
A esquistossomose mansoni é uma doença infectoparasitária provocada por vermes do gênero Schistosoma, que têm como hospedeiros intermediários caramujos de água doce do gênero Biomphalaria, e que pode evoluir desde formas assintomáticas até formas clínicas extremamente graves.
Moluscos
Ações:
- Levantamento da fauna planorbídica de importância médica;
- Apoiar pesquisa malacológica aplicada de interesse epidemiológico;
- Lavagem, acondicionamento e manutenção dos caramujos no moluscário;
- Confecção de mostruário das conchas de Biomphalaria spp;
Casos humanos
Ações:
- Leitura e revisão de lâminas para detecção de ovos de Schistosoma mansoni e geo helmintos.
Caracol africano
Ações:
- Encaminhamento do Achatina fulica para o Laboratório Nacional de Referência para investigação de Angiostrongylus
Leishmanioses
É uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de insetos vetores, como os flebotomíneos. Existem diferentes formas de leishmaniose, incluindo a visceral, que afeta órgãos internos como fígado, baço e medula óssea, e a tegumentar, que provoca úlceras na pele e mucosas. O tratamento varia de acordo com a forma da doença e pode incluir medicamentos específicos. A prevenção envolve o controle dos insetos vetores e medidas de proteção individual, como o uso de repelentes.
Flebotomíneos
Ações:
- Levantamento e monitoramento de fauna de flebotomíneos (levantamento)
- Investigação entomológica em casos humanos (investigação)
- Identificação de adultos de flebotomíneos
Malária
A malária é uma infecção causada por parasitas do gênero Plasmodium, Marchiafava e Celli, 1885, Classe Sporozoa, transmitida na natureza pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles.
Anofelinos
Ações:
- Levantamento e monitoramento de fauna de anofelinos
- Investigação entomológica em casos humanos (investigação)
Solicitações e Formulários
Notas Técnicas e Manuais
Como solicitar treinamentos ou visitas técnicas ao laboratório?
As visitas podem ser agendadas por universidades por meio do link:
Laboratório de Vetores, Reservatórios e Animais Peçonhentos Dr. Thomaz Corrêa Aragão

