Etice destaca potencial do Ceará como polo estratégico da economia digital durante o Ocean Summit 2026

O presidente da Empresa de Tecnologia da Informação do Ceará (Etice), Hugo Figueirêdo, participou, na tarde desta terça-feira (9), do Painel 4 do Ocean Summit 2026, realizado na Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Com o tema Cocriação de Iniciativas para os Direcionadores Estratégicos: Digitalização e Infraestrutura Inteligente do Mar, o debate reuniu especialistas para discutir o papel da tecnologia, da conectividade e da inovação no desenvolvimento da chamada Economia Azul.
Mediado por Vitor Hugo, do Observatório da Indústria Ceará, o painel contou ainda com as participações de Rafael Lozano, CEO da Telcables Brasil, do professor Samuel Façanha, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), e do almirante Elis Treidler Oberg, da Marinha do Brasil.
Primeiro palestrante da mesa, Hugo Figueirêdo apresentou uma análise sobre a cadeia produtiva da informação digital e sua relação direta com a infraestrutura marítima, destacando o protagonismo do Ceará no cenário nacional e internacional da conectividade.
Energia, dados e conectividade
Durante sua exposição, o presidente da Etice explicou que a economia digital moderna é sustentada por dois insumos fundamentais: energia e dados. Segundo ele, o avanço da inteligência artificial generativa tornou o processamento de informações cada vez mais intensivo em consumo energético, ampliando a importância da infraestrutura necessária para suportar essa transformação. “Para fazer qualquer processamento de dados, você precisa ter o dado e você precisa ter energia”, destacou.
Hugo ressaltou ainda que a transmissão dessas informações depende de uma robusta rede de conectividade, na qual os cabos submarinos desempenham papel essencial. “A fibra óptica que está em cabos submarinos tem uma relevância muito importante porque o grande volume de comunicação no mundo se dá através desses cabos”, afirmou.
Condições estratégicas para expansão do setor
Ao apresentar as vantagens competitivas do estado, o gestor da Etice destacou que o Ceará já possui um conjunto de fatores favoráveis para atrair investimentos em infraestrutura digital, incluindo conectividade internacional, estabilidade climática, disponibilidade de energias renováveis, incentivos fiscais e mão de obra qualificada.
O presidente lembrou que o Ceará concentra atualmente 16 cabos submarinos de telecomunicações e que novos sistemas seguem em implantação, fortalecendo ainda mais a posição estratégica do estado.
Ele destacou ainda a importância do Cinturão Digital do Ceará (CDC) como infraestrutura estratégica para a expansão da conectividade em todas as regiões do estado. Segundo o presidente, a rede pública de telecomunicações potencializa os benefícios da chegada dos cabos submarinos ao litoral cearense, permitindo que a capacidade de transmissão de dados alcance municípios em todo o território estadual.
Data centers e inteligência artificial
Outro ponto central da apresentação foi o crescimento dos data centers e sua relação com a transformação digital. Hugo explicou que essas estruturas são responsáveis por transformar dados em informação e constituem a base tecnológica necessária para aplicações de inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais.
Segundo ele, a presença dos cabos submarinos tem sido determinante para atrair esse tipo de empreendimento para o Ceará, fortalecendo uma cadeia produtiva com potencial de gerar desenvolvimento econômico, inovação e aumento de produtividade. “O Ceará já tem uma participação relevante na capacidade instalada de data centers no Brasil, e isso se deve aos cabos submarinos”, observou.
Ao abordar os impactos da inteligência artificial, o presidente da Etice ressaltou que a conectividade e o acesso a tecnologias avançadas deverão ampliar significativamente a produtividade dos diversos setores da economia. “Hoje praticamente todas as cadeias produtivas usam transformação digital. Com o uso intensivo da inteligência artificial, vamos ver aumentos de produtividade de ordem significativa”, afirmou.
Inovação como motor do desenvolvimento
Além da atração de infraestrutura tecnológica, Hugo Figueirêdo defendeu a necessidade de transformar esses investimentos em oportunidades concretas para o ecossistema local de inovação. Segundo ele, a presença de data centers, empresas de tecnologia e grandes operadores globais deve ser acompanhada por políticas de incentivo à pesquisa, desenvolvimento e inovação, fortalecendo universidades, parques tecnológicos, startups e empresas cearenses. “O esforço que precisamos fazer não é apenas atrair os equipamentos, mas garantir que eles funcionem como elementos de difusão da inovação na economia”, destacou.
O presidente também ressaltou o papel estratégico do poder público na promoção desse ambiente inovador, utilizando sua capacidade de contratação para estimular investimentos em pesquisa e desenvolvimento no estado.

Sobre o Ocean Summit 2026
Promovido pelo Observatório da Indústria Ceará, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), o Ocean Summit 2026 reuniu especialistas, empresários, representantes do setor público, academia e sociedade civil para debater oportunidades ligadas à Economia Azul e ao uso sustentável dos recursos marinhos.
A programação abordou temas como infraestrutura marítima, conectividade, energias renováveis offshore, logística, aquicultura, inovação e desenvolvimento sustentável, buscando fortalecer uma agenda integrada para o crescimento econômico associado ao mar.
Realizado na Casa da Indústria, em Fortaleza, o evento também contou com a participação de especialistas nacionais e internacionais, com o objetivo de posicionar o Ceará como referência nas discussões sobre economia do mar, tecnologia e sustentabilidade.