“HGF 57 anos – Eu faço parte dessa história”: o hospital onde Lucyana construiu a carreira também acolheu sua maternidade

No ano em que o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), celebra 57 anos de história, a série especial “HGF 57 anos: Eu faço parte dessa história” reúne relatos de profissionais que tiveram suas vidas atravessadas pelo hospital. Entre corredores, plantões, consultas, perdas e recomeços, cada trajetória ajuda a contar também a história do HGF e das pessoas que fazem parte dela todos os dias.
Há 12 anos no Hospital Geral de Fortaleza (HGF), equipamento da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), Lucyana Lima, 39, já conhecia a intensidade da rotina hospitalar – os plantões longos, as decisões urgentes e as histórias que atravessam diariamente um hospital público de referência. Mas foi depois da maternidade que ela passou a enxergar aquele ambiente de outra forma.
“O hospital que me acolheu como profissional também esteve presente em uma das fases mais importantes da minha vida como mulher e mãe”, relembra a assistente social.

O retorno ao trabalho, após a licença-maternidade, trouxe desafios que ela não conseguia prever. Entre a adaptação à nova rotina em casa e as demandas profissionais, precisou aprender, aos poucos, a lidar com os medos, as inseguranças e as exigências emocionais da amamentação. “Amamentar não foi fácil para mim. Foi um processo doloroso, delicado e de muito aprendizado”, conta.
Lucyana lembra que encontrou apoio justamente dentro do lugar onde trabalhava. Colegas e outros profissionais, além de familiares, ajudaram a formar uma rede de acolhimento que fez diferença naquele período. Informação, escuta e respeito às suas escolhas contribuíram para que ela atravessasse aquele momento com mais segurança e menos culpa.
Com o passar do tempo, a experiência ganhou um novo significado. Além de amamentar o próprio filho, ela se tornou doadora no Banco de Leite Humano do HGF. “Naquele momento, entendi que aquele processo difícil que vivi também podia alcançar outras mães e outros bebês. Para mim, teve um significado muito profundo perceber que, enquanto eu aprendia a ser mãe, também conseguia ajudar outras vidas através do cuidado”, lembra.
Lucyana também destaca a importância do trabalho realizado pelo Banco de Leite Humano do HGF. “Eu sei como muitas mulheres chegam ao hospital cheias de dúvidas, medos e insegurança, porque também vivi isso. O apoio que encontrei no Banco de Leite Humano e nos profissionais do SUS fez diferença na minha experiência como mãe”, diz.
No mês em que o Hospital Geral de Fortaleza celebra 57 anos, a história de Lucyana também se mistura à trajetória do hospital. “O HGF sempre fez parte da minha vida, mas a maternidade mudou a forma como eu passei a enxergar esse lugar. Hoje, percebo que essa experiência também faz parte da minha história dentro do hospital”, afirma.